O Brasil é o segundo maior consumidor da chamada "pílula da obediência", um remédio tarja preta usado para controlar o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) em crianças e jovens.
Comercializada com o nome de ritalina, a droga promete aumentar a concentração e a atenção.
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), cerca de 4% dos adultos e de 5% a 8 % de crianças e adolescentes de todo o mundo sofrem de TDAH.
Fonte: SITE R7
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
TDAH: cresce número de crianças que usam tarja preta
terça-feira, 7 de agosto de 2012
"Amor, quando é mesmo o seu aniversário?"
Por Rafael Alves Pereira* - rafa_alves@hotmail.com
Alguma vez você já experimentou a situação de passar semanas planejando uma viagem com o seu marido ou namorado, escolher o melhor roteiro, garimpar as pousadas mais charmosas, pesquisar as datas mais convenientes para as reservas de passagens e, quando você imaginava que já estava tudo pronto, agendado e organizado, ele sem nem ao menos te consultar decide cancelar tudo, muda os planos e só te avisa na última hora?
Alguém também já deve ter passado pelo exercício de paciência de ter uma namorada daquelas que não param quietas um minuto, estão sempre buscando algo novo para fazer – na verdade nem precisa procurar muito, a criatividade dela se encarrega de ir emendando uma coisa na outra com uma rapidez impressionante – e nem quando vocês tiram aquele merecido descanso de final de semana, isolados em algum lugarejo nas montanhas ou numa praia tranqüila, o quadro se altera: levanta, dá uma volta, senta de novo, irrita-se porquê o celular está sem sinal e ela não consegue falar com ninguém, abre uma revista, folheia outra... Pois se você se identificou com algum destes casos tem grandes chances de ser o premiado parceiro de um portador do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
As situações descritas podem parecer exageradas, mas são baseadas em depoimentos reais de pessoas que convivem com portadores de TDAH, um distúrbio ainda sub-diagnosticado, e que pode transformar em um rodamoinho a vida de quem sofre do problema. E os namorados, maridos, esposas e demais parceiros, que convivem diretamente com a pessoa, são carregados para o olho do furacão sem nem bem saber porquê.
O nome da enfermidade é auto-explicativo. Uma das principais queixas das pessoas que apresentam o TDAH é a falta de atenção, que vem acompanhada de dificuldade de se lembrar de pequenas coisas (e de outras nem tão pequenas assim), de guardar nomes ou ficar concentrado durante muito tempo em uma mesma atividade. Há ainda a tendência a se distrair facilmente com qualquer coisa (qualquer coisa mesmo), perder objetos, esquecer compromissos e não prestar atenção no que os outros dizem.
"Alô? Você está aí?"
Pequenos problemas como esses podem não incomodar muito quando surgem isoladamente, mas se uma mesma pessoa apresenta todos em grau acentuado, a vida íntima e social pode ficar bastante comprometida. O relacionamento a dois do portador de TDAH é muitas vezes uma prova de paciência para ambos: ao portador cabe um grande esforço para tentar vencer as limitações impostas pela enfermidade, e o parceiro precisa ter paciência redobrada para lidar com a desatenção crônica a os esquecimentos freqüentes. Quem já teve um namorado que sempre se atrasa, esquece compromissos que foram marcados com antecedência e até mesmo se distrai quando está ao telefone sabe o que é isso.
- Às vezes eu estou ao telefone com a minha namorada e ela me pergunta “Alô, você ainda esta aí?”. É que eu me distraio com qualquer coisa, me desligo sem saber. Posso estar olhando pela janela e ver um carro passando que “plim”, passo literalmente para o mundo da lua, como num passe de mágica - relata o estudante de engenharia Marcelo Medeiros, de Campinas, que descobriu recentemente que é portador de TDAH. - Mas agora ela já se acostumou e não se irrita tanto. Ela é bem relaxada e lida bem com os meus atrasos e esquecimentos – completa Marcelo, que também sofre de uma dificuldade aguda de cumprir horários.
- Nunca consigo chegar no horário. Não é exagero quando digo que me distraio muito. Quando estou me arrumando para sair com a minha namorada, às vezes, saio do banho e, quando passo pelo quarto para me vestir, vejo um CD em cima da mesa e coloco para ouvir. Depois esqueço do CD (e do encontro) e pego uma revista ou ligo a TV. Quando me lembro do que estava fazendo e olho no relógio, já estou atrasado e tenho que sair correndo – conta Marcelo. Ele lembra que já teve muitas brigas com antigas namoradas por causo dos atrasos.
- Mas a minha namorada de agora já não liga tanto. Nestes 8 meses em que estamos juntos ela já se acostumou e até faz piada. Quando digo para ela que vou passar para buscá-la às oito em ponto, ela ri e diz que vai começar a se arrumar às dez e meia.
Problemas com atrasos são uma queixa freqüente
A pessoa sai de casa às 17h, na hora em que a reunião estava marcada. Mas e se esquece do fato de escritório ficar do outro lado da cidade. O curioso é que os pacientes de TDAH são pontuais no seu atraso, eles se atrasam sempre os mesmo minutos. Se o horário é às 7h, ele vai sempre chegar às 7h15, não varia muito – explica o psiquiatra Marcos Romano, professor da PUC de Campinas.
"Pontualmente atrasado?"
É exatamente esse último item que tira muitas pessoas do sério. Partindo de um pensamento racional e perfeitamente aceitável se não fosse a lógica particular que envolve transtorno, muita gente se indaga: se a pessoa consegue chegar todos dias “pontualmente atrasado”, por que afinal é incapaz de chegar no horário?
- Há estudos que mostram que a percepção da passagem do tempo em quem sofre de TDAH é diferente da de uma pessoa normal . Ele sempre acha que pode fazer mais alguma coisa antes de sair para o compromisso. Se passa em frente ao computador acha que pode parar um minuto e responder alguns emails. Depois resolve aproveitar para fazer um telefonema e por aí vai. O paciente com TDAH vive o presente e tem dificuldade planejar o futuro – completa Marcos Romano, lembrando que em seu consultório recebe diversas pessoas que sofrem com o problema. Ele explica que em geral as mulheres procuram tratamento médico por outros problemas e depois acabam se descobrindo portadoras do TDAH. Já os homens em geral já aparecem devidamente “auto-diagnosticados”, esperando nada mais que uma confirmação médica.
Isso ocorre por que há três formas do TDAH
A forma hiperativa-impulsiva tem predomínio dos sintomas de hiperatividade e impulsividade.
A forma desatenta apresenta principalmente os sintomas de desatenção e falta de memória. Já a forma combinada possuiu os dois tipos de sintomas em freqüência semelhante.
A maioria dos homens sofre da forma combinada, com uma freqüência maior de sintomas hiperativo-impulsivos, como impulsividade, impaciência, ter “pavio-curto” e ficar em movimento o tempo todo. As mulheres, por sua vez, sofrem principalmente da modalidade desatenta. Uma moça distraída, quieta, esquecida, que nunca se lembra de onde deixou a sua bolsa e troca os nomes das pessoas é em geral mais bem tolerada que um sujeito explosivo, que se irrita com facilidade, não mede as suas palavras e não para quieto um minuto, fazendo com que as mulheres procurem ajuda profissional em um número bem menor que o de homens.
Gafes em série
Bastante paciência e jogo de cintura são essenciais para quem é parceiro de um portador de TDAH. Paciência para conviver diariamente com os esquecimentos e com a desatenção. E jogo de cintura para conseguir contornar as situações delicadas e constrangedoras que podem eventualmente ocorrer. Na verdade, que podem ocorrer com certa freqüência. A impulsividade é um dos sintomas mais visíveis no TDAH. O portador freqüentemente age por impulso e não costuma ponderar muito sobre suas atitudes, falando o que vem à cabeça. A combinação de falta de atenção, lapsos de memória e mais o ímpeto de não ter papas na língua pode fazer do portador um especialista em cometer gafes em série.
- O Eduardo às vezes solta umas frases no meio de uma conversa que me deixam morta de vergonha. Ele é muito impulsivo e, para os outros, chega a dar a impressão de que não tem muita noção dos limites e convenções sociais. Mas a verdade é que ele em geral se arrepende do que falou imediatamente – conta a jornalista Sílvia de Andrade, do Rio de Janeiro, acrescentando que nos 3 anos e meio de relação já se tornou campeã em sair de saias-justas causados pelo TDAH do marido.
- Logo que nos casamos, a irmã do Eduardo nos deu um quadro de presente para a nossa casa nova. E ele, sem nenhum traquejo ou cerimônia, disse na cara dela que não tinha gostado do quadro, que achou feio. A pobrezinha ficou com uma cara de taxo.
Sílvia diz que acontecimentos como esse são relativamente freqüentes, mas que em certa medida já aprendeu a conviver com isso.
- Mas não vou dizer que é fácil por que não é. A pessoa tem que ter muita paciência e capacidade de compreensão. De vez em quando é difícil. E tenho que tentar entender e resolver o problema, por mais irritada que eu esteja.
O doutor Romano avisa que o cônjuge precisa conhecer o TDAH e saber o que é a doença. Ele sempre recomenda que o marido ou a esposa leia sobre o assunto, que busque informações para compreender melhor como funciona o cérebro de uma pessoa que tem TDAH. O parceiro tem que saber que o transtorna faz com que a pessoa tenha uma consciência de si própria bastante precária. Romano comenta, bem humorado, que costuma dizer que a pessoa é “tão distraída que não percebe que é distraída”.
Ofender sem querer
O administrador Ricardo de Oliveira, que mora em São Paulo, admite que por mais que tente se controlar, não consegue evitar as gafes. Para ele, assim como para muitos outros que vivem com o TDAH, já se tornou rotina se arrepender daquilo que falou segundos atrás.
- Você até sabe que não deveria falar e logo depois se arrepende. Mas aí já foi, não tem o que fazer. Uma ex-namorada minha era uma garota super tranqüila e relaxada, e não se preocupava tanto quanto eu com as roupas, em se produzir. Uma vez íamos sair e logo que ela terminou de se arrumar eu disse “Mas você vai assim?”. O jeito com que ela me olhou foi suficiente para eu me arrepender na hora. A gente sabe que nunca deve falar uma coisa dessas para uma mulher assim, na cara. Mas na hora não pensei e quando vi já tinha falado.
A psiquiatra carioca Vanessa Ayrão, que realiza pesquisa sobre o TDAH no IPUB, o Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, explica que por causa da doença os pacientes, sem ter intenção, chegam a falar coisas que podem magoar os outros. Ela conta que eles freqüentemente agem no ímpeto, antes de pensar e colocam os fatos até mesmo de uma maneira agressiva, o que pode acabar minando e comprometendo a relação. O caso de Ricardo ilustra bem esse problema. Ele conta que por causa disso, muitas namoradas já o acusaram de ser “sincero demais”.
"Ele não me escuta!!!"
Mas a maior queixa dos maridos, esposas, namorados e de quem convive com portadores TDAH é e dificuldade de conseguir conversar com as pessoas sem que ela se distraia, pense em outras coisas e fuja para o mundo da lua no meio da conversa. Se em casamentos em que nenhum dos dois apresenta TDAH a dificuldade de comunicação é um problema constante, imagine então quando o marido ou a esposa simplesmente não consegue prestar atenção ao que o outro diz por muito tempo. A cena é clássica: um deles fala, fala... enquanto o outro parece escutar. Ele pode até ter se concentrado nos início, mas depois se distrai com o som da TV ou olhando o quadro que está na parede logo atrás do parceiro: “Amor, você está me ouvindo?”; “Ah, o que é? Desculpe estava distraído...”. E está o aí estopim para uma discussão das boas, que podem incluir acusações como “você nunca me escuta”, “nada do que eu falo é importante para você”, “você não se importa comigo. Eu te falo uma coisa e na semana seguinte você já não se lembra!”.
- No início, logo que eu conheci a Débora, eu achava um pouco grosseiro o fato de ela se desligar da conversa. Já estamos juntos há quase quatro anos e ainda hoje isso é o que mais me chama a atenção no nosso cotidiano. Muitas vezes eu falo com ela e tenho a sensação de que ela está fazendo uma viagem astral, que está num mundo à parte – brinca o economista carioca Henrique Bastos. Ele conta que já aprendeu a lidar com as “viagens” da esposa, mas que isso não o impede de se irritar em certas ocasiões - Quando estou falando sobre um assunto sério e ela se distrai, eu me irrito. Posso ser compreensivo mas não sou de ferro.
- Eu até tento me concentrar e prestar atenção ao que ele me diz. Mas eu me distraio sem querer. Quando vejo já estou pensando em outra coisa ou olhando para o lado. Depois que iniciei o tratamento médico o problema melhorou bastante. Me sinto mais paciente, consigo ouvi-lo melhor, não sou mais tão impulsiva – se defende a esposa. E como as maiores queixas eram do marido, ele se encarrega agora de fiscalizar os horários em que ela toma os remédios. Henrique diz que percebe pelo comportamento da esposa quando ela se esqueceu dos comprimidos e é o primeiro a cobrar.
Disfunções no funcionamento do cérebro
Mas problemas como esse não são comuns e afetam também pessoas tidas como normais? Os médicos dizem que sim, mas ressaltam que quando a pessoa tem TDAH, os problemas são mais freqüentes e acentuados, o que pode ser bastante desgastante para um relacionamento. Quem não ficaria chateado se o parceiro se esquecesse sempre dos compromissos, datas, aniversários e mesmo do seu prato preferido? Não se trata de falta de interesse ou descaso, mas sim de uma incapacidade com explicações biológicas. Inúmeros estudos científicos já demonstraram que o TDAH sofre forte influência genética e está relacionado a uma alteração de neurotransmissores em determinadas regiões cerebrais.
Se os parceiros reclamam, a situação também não é das mais simples para o portador. Eles tentam, fazem um esforço sobre-humano para vencer as limitações da doença e freqüentemente se sentem frustrados o por não conseguirem agradar ao cônjuge. Os médicos contam que muitos pacientes procuram tratamento médico inicialmente por causa das reclamações dos parceiros. O estímulo para continuar o tratamento e conseguir conviver com a doença também costuma vir deles. É consenso entre os médicos que sem a ajuda e compreensão daquele que está ao lado, convivendo com o portador, o trabalho fica muito mais difícil.
-Para que a vida do portador de TDAH e de seu parceiro seja melhor, os dois precisam estar atentos ao problema. Todas as recomendações valem para ambos. Na hora de uma conversa, é preciso se livrar de quaisquer outros estímulos que possam atrapalhar. Não adianta tentar conversar fazendo outras coisas, como ver TV, preparar um jantar etc. Um marido que tentar falar com a esposa enquanto ela procura um objeto dentro da bolsa está perdendo o seu tempo – explica Marcos Romano. Ele acrescenta que o contato visual é muito importante para facilitar a “ativação” da atenção.
- Na hora de conversar, olho no olho. Nada de tentar conversar a distância, gritando lá do outro cômodo da casa. Eu sei que pode ser chato, mas não adianta tentar falar enquanto vê assiste a um filme. Use sempre o contato visual.
Montanha-russa amorosa
É preciso ainda estar atento a um outro problema causado pelo TDAH. Muitos portadores reclamam que não conseguem estabelecer relações mais duradouras por que, depois de algum tempo, simplesmente se cansam das pessoas. Essa postura traz dificuldade em todas as relações, sejam amorosas, profissionais ou sociais. A doutora Vanessa Ayrão explica que quem tem TDAH tende a se cansar das situações e das pessoas com muita facilidade. Eles estão sempre buscando novidades e, dentro desta lógica, o relacionamento só é interessante enquanto é uma coisa nova.
- Um relacionamento que para uma pessoa comum é tranqüilo, pode ser extremamente entediante para quem tem TDAH. Ele precisa estar sempre criando estímulos para manter o interesse pela relação. Um dos recursos é até mesmo estimular conflitos, criar brigas. Se os dois não tiverem uma postura crítica e se o parceiro “entrar no jogo”, a relação pode se transformar em uma montanha-russa nada agradável – observa Vanessa.
Na tentativa de levar uma vida em um ritmo mais agradável e diminuir os problemas causados pelo transtorno - e evitar assim as broncas da namorada por ter chegado atrasado ou do marido por que você se esqueceu pela vigésima quinta vez de pagar a conta de telefone - os portadores podem criar estratégias que ajudam a vencer a falta de atenção e a memória fraca. O estudante Marcelo - o mesmo que no início da matéria confessou que, enquanto ouvia música, assistia tv ou ou lia revistas, se esquecia de buscar a pobre namorada que o estava esperando – dá algumas dicas que já testou na prática:
- Passei a anotar tudo e deixo escrito em um bloquinho que levo comigo na carteira. Escrevo inclusive um roteiro de coisas a fazer durante o dia. Pendurei também uma lousa no meu quarto, bem em frente a minha cama, e ali coloco com letras garrafais as coisas importantes.
Mas os compromissos sociais marcados com muita antecedência, no entanto, ele já desistiu de guardar.
- Quem geralmente me lembra do que a gente tem para fazer é a minha namorada. Nós confiamos mais na memória dela - brinca o rapaz.
* Rafael Alves Pereira é jornalista formado pela PUC-Rio e trabalha atualmente na Rádio CBN. Ele escreve para a ABDA reportagens quinzenais, que trazem depoimentos de médicos e pacientes e têm o objetivo de oferecer mais informações sobre o TDAH para quem convive com o problema e para o público em geral. São abordados assuntos como o cotidiano do portador de TDAH, avanços médicos na área e o tratamento dos pacientes.
rafa_alves@hotmail.com
Retirado do site ABDA
Alguma vez você já experimentou a situação de passar semanas planejando uma viagem com o seu marido ou namorado, escolher o melhor roteiro, garimpar as pousadas mais charmosas, pesquisar as datas mais convenientes para as reservas de passagens e, quando você imaginava que já estava tudo pronto, agendado e organizado, ele sem nem ao menos te consultar decide cancelar tudo, muda os planos e só te avisa na última hora?
Alguém também já deve ter passado pelo exercício de paciência de ter uma namorada daquelas que não param quietas um minuto, estão sempre buscando algo novo para fazer – na verdade nem precisa procurar muito, a criatividade dela se encarrega de ir emendando uma coisa na outra com uma rapidez impressionante – e nem quando vocês tiram aquele merecido descanso de final de semana, isolados em algum lugarejo nas montanhas ou numa praia tranqüila, o quadro se altera: levanta, dá uma volta, senta de novo, irrita-se porquê o celular está sem sinal e ela não consegue falar com ninguém, abre uma revista, folheia outra... Pois se você se identificou com algum destes casos tem grandes chances de ser o premiado parceiro de um portador do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
As situações descritas podem parecer exageradas, mas são baseadas em depoimentos reais de pessoas que convivem com portadores de TDAH, um distúrbio ainda sub-diagnosticado, e que pode transformar em um rodamoinho a vida de quem sofre do problema. E os namorados, maridos, esposas e demais parceiros, que convivem diretamente com a pessoa, são carregados para o olho do furacão sem nem bem saber porquê.
O nome da enfermidade é auto-explicativo. Uma das principais queixas das pessoas que apresentam o TDAH é a falta de atenção, que vem acompanhada de dificuldade de se lembrar de pequenas coisas (e de outras nem tão pequenas assim), de guardar nomes ou ficar concentrado durante muito tempo em uma mesma atividade. Há ainda a tendência a se distrair facilmente com qualquer coisa (qualquer coisa mesmo), perder objetos, esquecer compromissos e não prestar atenção no que os outros dizem.
"Alô? Você está aí?"
Pequenos problemas como esses podem não incomodar muito quando surgem isoladamente, mas se uma mesma pessoa apresenta todos em grau acentuado, a vida íntima e social pode ficar bastante comprometida. O relacionamento a dois do portador de TDAH é muitas vezes uma prova de paciência para ambos: ao portador cabe um grande esforço para tentar vencer as limitações impostas pela enfermidade, e o parceiro precisa ter paciência redobrada para lidar com a desatenção crônica a os esquecimentos freqüentes. Quem já teve um namorado que sempre se atrasa, esquece compromissos que foram marcados com antecedência e até mesmo se distrai quando está ao telefone sabe o que é isso.
- Às vezes eu estou ao telefone com a minha namorada e ela me pergunta “Alô, você ainda esta aí?”. É que eu me distraio com qualquer coisa, me desligo sem saber. Posso estar olhando pela janela e ver um carro passando que “plim”, passo literalmente para o mundo da lua, como num passe de mágica - relata o estudante de engenharia Marcelo Medeiros, de Campinas, que descobriu recentemente que é portador de TDAH. - Mas agora ela já se acostumou e não se irrita tanto. Ela é bem relaxada e lida bem com os meus atrasos e esquecimentos – completa Marcelo, que também sofre de uma dificuldade aguda de cumprir horários.
- Nunca consigo chegar no horário. Não é exagero quando digo que me distraio muito. Quando estou me arrumando para sair com a minha namorada, às vezes, saio do banho e, quando passo pelo quarto para me vestir, vejo um CD em cima da mesa e coloco para ouvir. Depois esqueço do CD (e do encontro) e pego uma revista ou ligo a TV. Quando me lembro do que estava fazendo e olho no relógio, já estou atrasado e tenho que sair correndo – conta Marcelo. Ele lembra que já teve muitas brigas com antigas namoradas por causo dos atrasos.
- Mas a minha namorada de agora já não liga tanto. Nestes 8 meses em que estamos juntos ela já se acostumou e até faz piada. Quando digo para ela que vou passar para buscá-la às oito em ponto, ela ri e diz que vai começar a se arrumar às dez e meia.
Problemas com atrasos são uma queixa freqüente
A pessoa sai de casa às 17h, na hora em que a reunião estava marcada. Mas e se esquece do fato de escritório ficar do outro lado da cidade. O curioso é que os pacientes de TDAH são pontuais no seu atraso, eles se atrasam sempre os mesmo minutos. Se o horário é às 7h, ele vai sempre chegar às 7h15, não varia muito – explica o psiquiatra Marcos Romano, professor da PUC de Campinas.
"Pontualmente atrasado?"
É exatamente esse último item que tira muitas pessoas do sério. Partindo de um pensamento racional e perfeitamente aceitável se não fosse a lógica particular que envolve transtorno, muita gente se indaga: se a pessoa consegue chegar todos dias “pontualmente atrasado”, por que afinal é incapaz de chegar no horário?
- Há estudos que mostram que a percepção da passagem do tempo em quem sofre de TDAH é diferente da de uma pessoa normal . Ele sempre acha que pode fazer mais alguma coisa antes de sair para o compromisso. Se passa em frente ao computador acha que pode parar um minuto e responder alguns emails. Depois resolve aproveitar para fazer um telefonema e por aí vai. O paciente com TDAH vive o presente e tem dificuldade planejar o futuro – completa Marcos Romano, lembrando que em seu consultório recebe diversas pessoas que sofrem com o problema. Ele explica que em geral as mulheres procuram tratamento médico por outros problemas e depois acabam se descobrindo portadoras do TDAH. Já os homens em geral já aparecem devidamente “auto-diagnosticados”, esperando nada mais que uma confirmação médica.
Isso ocorre por que há três formas do TDAH
A forma hiperativa-impulsiva tem predomínio dos sintomas de hiperatividade e impulsividade.
A forma desatenta apresenta principalmente os sintomas de desatenção e falta de memória. Já a forma combinada possuiu os dois tipos de sintomas em freqüência semelhante.
A maioria dos homens sofre da forma combinada, com uma freqüência maior de sintomas hiperativo-impulsivos, como impulsividade, impaciência, ter “pavio-curto” e ficar em movimento o tempo todo. As mulheres, por sua vez, sofrem principalmente da modalidade desatenta. Uma moça distraída, quieta, esquecida, que nunca se lembra de onde deixou a sua bolsa e troca os nomes das pessoas é em geral mais bem tolerada que um sujeito explosivo, que se irrita com facilidade, não mede as suas palavras e não para quieto um minuto, fazendo com que as mulheres procurem ajuda profissional em um número bem menor que o de homens.
Gafes em série
Bastante paciência e jogo de cintura são essenciais para quem é parceiro de um portador de TDAH. Paciência para conviver diariamente com os esquecimentos e com a desatenção. E jogo de cintura para conseguir contornar as situações delicadas e constrangedoras que podem eventualmente ocorrer. Na verdade, que podem ocorrer com certa freqüência. A impulsividade é um dos sintomas mais visíveis no TDAH. O portador freqüentemente age por impulso e não costuma ponderar muito sobre suas atitudes, falando o que vem à cabeça. A combinação de falta de atenção, lapsos de memória e mais o ímpeto de não ter papas na língua pode fazer do portador um especialista em cometer gafes em série.
- O Eduardo às vezes solta umas frases no meio de uma conversa que me deixam morta de vergonha. Ele é muito impulsivo e, para os outros, chega a dar a impressão de que não tem muita noção dos limites e convenções sociais. Mas a verdade é que ele em geral se arrepende do que falou imediatamente – conta a jornalista Sílvia de Andrade, do Rio de Janeiro, acrescentando que nos 3 anos e meio de relação já se tornou campeã em sair de saias-justas causados pelo TDAH do marido.
- Logo que nos casamos, a irmã do Eduardo nos deu um quadro de presente para a nossa casa nova. E ele, sem nenhum traquejo ou cerimônia, disse na cara dela que não tinha gostado do quadro, que achou feio. A pobrezinha ficou com uma cara de taxo.
Sílvia diz que acontecimentos como esse são relativamente freqüentes, mas que em certa medida já aprendeu a conviver com isso.
- Mas não vou dizer que é fácil por que não é. A pessoa tem que ter muita paciência e capacidade de compreensão. De vez em quando é difícil. E tenho que tentar entender e resolver o problema, por mais irritada que eu esteja.
O doutor Romano avisa que o cônjuge precisa conhecer o TDAH e saber o que é a doença. Ele sempre recomenda que o marido ou a esposa leia sobre o assunto, que busque informações para compreender melhor como funciona o cérebro de uma pessoa que tem TDAH. O parceiro tem que saber que o transtorna faz com que a pessoa tenha uma consciência de si própria bastante precária. Romano comenta, bem humorado, que costuma dizer que a pessoa é “tão distraída que não percebe que é distraída”.
Ofender sem querer
O administrador Ricardo de Oliveira, que mora em São Paulo, admite que por mais que tente se controlar, não consegue evitar as gafes. Para ele, assim como para muitos outros que vivem com o TDAH, já se tornou rotina se arrepender daquilo que falou segundos atrás.
- Você até sabe que não deveria falar e logo depois se arrepende. Mas aí já foi, não tem o que fazer. Uma ex-namorada minha era uma garota super tranqüila e relaxada, e não se preocupava tanto quanto eu com as roupas, em se produzir. Uma vez íamos sair e logo que ela terminou de se arrumar eu disse “Mas você vai assim?”. O jeito com que ela me olhou foi suficiente para eu me arrepender na hora. A gente sabe que nunca deve falar uma coisa dessas para uma mulher assim, na cara. Mas na hora não pensei e quando vi já tinha falado.
A psiquiatra carioca Vanessa Ayrão, que realiza pesquisa sobre o TDAH no IPUB, o Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, explica que por causa da doença os pacientes, sem ter intenção, chegam a falar coisas que podem magoar os outros. Ela conta que eles freqüentemente agem no ímpeto, antes de pensar e colocam os fatos até mesmo de uma maneira agressiva, o que pode acabar minando e comprometendo a relação. O caso de Ricardo ilustra bem esse problema. Ele conta que por causa disso, muitas namoradas já o acusaram de ser “sincero demais”.
"Ele não me escuta!!!"
Mas a maior queixa dos maridos, esposas, namorados e de quem convive com portadores TDAH é e dificuldade de conseguir conversar com as pessoas sem que ela se distraia, pense em outras coisas e fuja para o mundo da lua no meio da conversa. Se em casamentos em que nenhum dos dois apresenta TDAH a dificuldade de comunicação é um problema constante, imagine então quando o marido ou a esposa simplesmente não consegue prestar atenção ao que o outro diz por muito tempo. A cena é clássica: um deles fala, fala... enquanto o outro parece escutar. Ele pode até ter se concentrado nos início, mas depois se distrai com o som da TV ou olhando o quadro que está na parede logo atrás do parceiro: “Amor, você está me ouvindo?”; “Ah, o que é? Desculpe estava distraído...”. E está o aí estopim para uma discussão das boas, que podem incluir acusações como “você nunca me escuta”, “nada do que eu falo é importante para você”, “você não se importa comigo. Eu te falo uma coisa e na semana seguinte você já não se lembra!”.
- No início, logo que eu conheci a Débora, eu achava um pouco grosseiro o fato de ela se desligar da conversa. Já estamos juntos há quase quatro anos e ainda hoje isso é o que mais me chama a atenção no nosso cotidiano. Muitas vezes eu falo com ela e tenho a sensação de que ela está fazendo uma viagem astral, que está num mundo à parte – brinca o economista carioca Henrique Bastos. Ele conta que já aprendeu a lidar com as “viagens” da esposa, mas que isso não o impede de se irritar em certas ocasiões - Quando estou falando sobre um assunto sério e ela se distrai, eu me irrito. Posso ser compreensivo mas não sou de ferro.
- Eu até tento me concentrar e prestar atenção ao que ele me diz. Mas eu me distraio sem querer. Quando vejo já estou pensando em outra coisa ou olhando para o lado. Depois que iniciei o tratamento médico o problema melhorou bastante. Me sinto mais paciente, consigo ouvi-lo melhor, não sou mais tão impulsiva – se defende a esposa. E como as maiores queixas eram do marido, ele se encarrega agora de fiscalizar os horários em que ela toma os remédios. Henrique diz que percebe pelo comportamento da esposa quando ela se esqueceu dos comprimidos e é o primeiro a cobrar.
Disfunções no funcionamento do cérebro
Mas problemas como esse não são comuns e afetam também pessoas tidas como normais? Os médicos dizem que sim, mas ressaltam que quando a pessoa tem TDAH, os problemas são mais freqüentes e acentuados, o que pode ser bastante desgastante para um relacionamento. Quem não ficaria chateado se o parceiro se esquecesse sempre dos compromissos, datas, aniversários e mesmo do seu prato preferido? Não se trata de falta de interesse ou descaso, mas sim de uma incapacidade com explicações biológicas. Inúmeros estudos científicos já demonstraram que o TDAH sofre forte influência genética e está relacionado a uma alteração de neurotransmissores em determinadas regiões cerebrais.
Se os parceiros reclamam, a situação também não é das mais simples para o portador. Eles tentam, fazem um esforço sobre-humano para vencer as limitações da doença e freqüentemente se sentem frustrados o por não conseguirem agradar ao cônjuge. Os médicos contam que muitos pacientes procuram tratamento médico inicialmente por causa das reclamações dos parceiros. O estímulo para continuar o tratamento e conseguir conviver com a doença também costuma vir deles. É consenso entre os médicos que sem a ajuda e compreensão daquele que está ao lado, convivendo com o portador, o trabalho fica muito mais difícil.
-Para que a vida do portador de TDAH e de seu parceiro seja melhor, os dois precisam estar atentos ao problema. Todas as recomendações valem para ambos. Na hora de uma conversa, é preciso se livrar de quaisquer outros estímulos que possam atrapalhar. Não adianta tentar conversar fazendo outras coisas, como ver TV, preparar um jantar etc. Um marido que tentar falar com a esposa enquanto ela procura um objeto dentro da bolsa está perdendo o seu tempo – explica Marcos Romano. Ele acrescenta que o contato visual é muito importante para facilitar a “ativação” da atenção.
- Na hora de conversar, olho no olho. Nada de tentar conversar a distância, gritando lá do outro cômodo da casa. Eu sei que pode ser chato, mas não adianta tentar falar enquanto vê assiste a um filme. Use sempre o contato visual.
Montanha-russa amorosa
É preciso ainda estar atento a um outro problema causado pelo TDAH. Muitos portadores reclamam que não conseguem estabelecer relações mais duradouras por que, depois de algum tempo, simplesmente se cansam das pessoas. Essa postura traz dificuldade em todas as relações, sejam amorosas, profissionais ou sociais. A doutora Vanessa Ayrão explica que quem tem TDAH tende a se cansar das situações e das pessoas com muita facilidade. Eles estão sempre buscando novidades e, dentro desta lógica, o relacionamento só é interessante enquanto é uma coisa nova.
- Um relacionamento que para uma pessoa comum é tranqüilo, pode ser extremamente entediante para quem tem TDAH. Ele precisa estar sempre criando estímulos para manter o interesse pela relação. Um dos recursos é até mesmo estimular conflitos, criar brigas. Se os dois não tiverem uma postura crítica e se o parceiro “entrar no jogo”, a relação pode se transformar em uma montanha-russa nada agradável – observa Vanessa.
Na tentativa de levar uma vida em um ritmo mais agradável e diminuir os problemas causados pelo transtorno - e evitar assim as broncas da namorada por ter chegado atrasado ou do marido por que você se esqueceu pela vigésima quinta vez de pagar a conta de telefone - os portadores podem criar estratégias que ajudam a vencer a falta de atenção e a memória fraca. O estudante Marcelo - o mesmo que no início da matéria confessou que, enquanto ouvia música, assistia tv ou ou lia revistas, se esquecia de buscar a pobre namorada que o estava esperando – dá algumas dicas que já testou na prática:
- Passei a anotar tudo e deixo escrito em um bloquinho que levo comigo na carteira. Escrevo inclusive um roteiro de coisas a fazer durante o dia. Pendurei também uma lousa no meu quarto, bem em frente a minha cama, e ali coloco com letras garrafais as coisas importantes.
Mas os compromissos sociais marcados com muita antecedência, no entanto, ele já desistiu de guardar.
- Quem geralmente me lembra do que a gente tem para fazer é a minha namorada. Nós confiamos mais na memória dela - brinca o rapaz.
* Rafael Alves Pereira é jornalista formado pela PUC-Rio e trabalha atualmente na Rádio CBN. Ele escreve para a ABDA reportagens quinzenais, que trazem depoimentos de médicos e pacientes e têm o objetivo de oferecer mais informações sobre o TDAH para quem convive com o problema e para o público em geral. São abordados assuntos como o cotidiano do portador de TDAH, avanços médicos na área e o tratamento dos pacientes.
rafa_alves@hotmail.com
Retirado do site ABDA
terça-feira, 24 de julho de 2012
Manifesto - EU APOIO ESSA CARTA!
Este é um manifesto que repudia a idéia de que o TDAH é uma doença inventada.
É necessário que todos aqueles que sofrem com filhos com TDAH assinem para que as pessoas reconheçam que precisamos de pessoas entendam e nos ajudem .
TDAH não é uma doença inventada.
sábado, 21 de julho de 2012
TDAH - Programa Sem Censura - 19/07/2012
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Revista Super Interessante aborda o cérebro do TDAH
A revista Super Interessante traz 2 artigos sobre TDAH que vale a pena ler.
Um dos artigos vai trazer o dia a dia com déficit de atenção e mostra como o cérebro de um TDAH não consegue filtrar os estímulos e como recebe tudo ao mesmo tempo.
Vale a pena ler ....
sábado, 16 de junho de 2012
O "MITO" DO TDAH: COMO ENTENDER O QUE VOCÊ OUVE POR AÍ
Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Mestre e Doutor em Psiquiatria e Saúde Mental
Pós-doutor em Bioquímica
Presidente do Conselho Científico da ABDA
As dúvidas movem a ciência e permitem o progresso, porque impulsionam os cientistas a tentar esclarecê-las. Dúvidas, portanto, representam algo inestimável e imprescindível para todas as áreas da ciência; para a medicina não é diferente. Existe atualmente um grande número de questões não esclarecidas sobre diferentes aspectos de muitas doenças; são estas dúvidas que estão ocupando os cientistas do mundo inteiro neste exato momento e vão ocupa-los por toda sua vida profissional.
E o que fazem os cientistas? Eles fazem pesquisas com critérios rigorosos para testar suas hipóteses. Para isto, devem submeter seu projeto a um comitê de ética e ter cada etapa de seu trabalho avaliada e aprovada antes mesmo de começar. Quando a pesquisa termina, os cientistas publicam os resultados em revistas especializadas, para que os conhecimentos não apenas sejam conhecidos por todos os demais cientistas, como também para que outros possam verificar os resultados e tentar reproduzi-los para confirmá-los ou rejeitá-los. A isto chama-se de método científico e é a única maneira de se controlar os conhecimentos gerados por pesquisas.
Um cientista mal intencionado publicou resultados fraudulentos? A única forma será verificar os resultados de sua pesquisa (eles são obrigatoriamente armazenados durante muitos anos). Outro tirou conclusões erradas a partir dos resultados de sua pesquisa? Basta verificar a metodologia, conferir os resultados e ver se há outras conclusões possíveis. Alguém recebeu verba de um patrocinador que potencialmente influenciou a análise dos resultados? Informações sobre verbas são obrigatórias e caso haja uma infração, nenhuma revista científica publicará mais artigos deste pesquisador. Existiu alguma fraude com os dados? É possível saber verificando os materiais originais da pesquisa e os relatórios publicados; várias revistas publicam imediatamente editoriais quando descobrem algum tipo de erro ou fraude.
Portanto, somente o método científico nos dá a segurança de que uma determinada informação é segura, porque deste modo ela pode ser analisada, verificada, confirmada ou abandonada. Para isso existem as revistas científicas especializadas que só publicam pesquisas que respeitaram o método científico e que foram previamente avaliadas por um grupo de pesquisadores imparciais e com experiência. Quando ocorrem erros, de qualquer natureza, este é o único modo de eles serem descobertos e corrigidos: através de publicações científicas padronizadas.
Agora, imagine que alguém lhe diga que “determinada doença é causada por isto ou por aquilo” ou ainda que “determinado medicamento causa este ou aquele problema”. Você aceitaria, de bom grado? Sem pedir nenhuma comprovação científica? Sem pedir para ver os artigos científicos publicados em revistas especializadas?
Como você pode saber se algo que um profissional de saúde está dizendo é verdade? Qualquer ideia pode fazer algum sentido e mesmo assim ser falsa; nem toda lógica é verdadeira, obviamente. Muitas vezes, um discurso inflamado, aparentemente bem intencionado, é cheio de conclusões que não tem qualquer fundamento científico e não se baseia em nenhum achado de pesquisa. No Brasil, frequentemente pessoas fazem discursos e até mesmo iniciam campanhas sobre saúde baseadas em suas opiniões pessoais ou suas crenças políticas; ou seja, no que elas “acham”- é o famoso “achismo”.
E quanto ao TDAH? Existem dúvidas sobre inúmeros aspectos específicos do TDAH, assim como existem com relação ao câncer, ao diabetes, ao infarto do miocárdio, ao Parkinson, etc. Mas não existe nenhuma dúvida, no meio científico, quanto a sua existência: o TDAH é um dos transtornos mais bem estudados em toda a medicina e é descrito por médicos há mais de 2 séculos.
Mas por que algumas pessoas insistem em dizer que “TDAH não existe”?
Em primeiro lugar, vamos esclarecer quem reconhece o TDAH como uma doença: a Organização Mundial da Saúde. Além disso, no Brasil, temos a Associação Médica Brasileira, a Associação Brasileira de Psiquiatria, a Academia Brasileira de Neurologia e a Academia Brasileira de Pediatria. Você não acha estranho que alguém conheça “uma verdade” que é ignorada por todas as organizações médicas?
Bem, o modo mais simples e rápido de terminar uma discussão sobre “a existência do TDAH” seria pedir que os indivíduos que negam sua existência forneçam artigos científicos que sustentem sua opinião. Mas eles jamais o farão, porque tais artigos.... não existem! O seu discurso sempre será baseado no “achismo” e sempre dará a impressão de que estão lutando por uma causa justa, para “defender” a população de algum mal terrível. Por outro lado, artigos mostrando que existem bases neurobiológicas e genéticas no TDAH somam mais de 10.000 atualmente (isto mesmo, dez mil, você leu corretamente).
Algumas pessoas, talvez, fiquem na dúvida sobre a existência do TDAH porque “todo mundo tem um pouco”. O que ocorre é que todo mundo tem alguns sintomas de TDAH; este diagnóstico é feito pela quantidade de sintomas e não na base do “tudo ou nada”. Exatamente como no diabetes, na hipertensão arterial, no glaucoma, na osteoporose, etc.: o que dá o diagnóstico é a intensidade ou quantidade.
Existem também indivíduos que acreditam que todo e qualquer problema de comportamento (TDAH nem sempre causa problemas de comportamento, ressalte-se) é causado “pela sociedade”. Geralmente estas pessoas estão fortemente envolvidas com grupos políticos que pregam intervenções do governo na sociedade (também chamada de “engenharia social”, muito comum nos regimes ditatoriais comunistas). Tais movimentos remontam à ideia comprovadamente equivocada de que os homens nascem invariavelmente bons e puros e é a sociedade que os corrompe. Estas ideias, que datam do século XVIII, não sobreviveram aos achados da genética e das neurociências, que não existiam naquela época.
Outros, ainda acreditam que todo e qualquer problema psíquico é causado por fatores psicológicos, apesar da farta literatura científica sobre as bases neurobiológicas e genéticas do TDAH. Desnecessário dizer que geralmente tais indivíduos ganham a vida fazendo tratamento psicológico para as doenças; raramente, entretanto, falam sobre o seu próprio conflito de interesses.
Por fim, ainda há aqueles que tomam conhecimento de diagnósticos errados de TDAH, de prescrições equivocadas de medicamentos, de automedicação para fins recreativos ou para aumento do desempenho em provas e passam então a dizer que “o diagnóstico é falho” ou “o tratamento é similar ao uso de uma droga”. Não é difícil enxergar que a existência destes erros em nada comprometem nem o diagnóstico nem o tratamento do TDAH. Pense nos antibióticos: eles são muito prescritos de modo errado. Usam-se antibióticos, por exemplo, para infecções de garganta com muita frequência, um uso sabidamente equivocado (elas são causadas na maioria das vezes por vírus, que não são combatidos com antibióticos). Nem por isso deve-se abolir os antibióticos, que curam e salvam vidas quando usados corretamente. O mesmo exemplo ainda serve para aqueles indivíduos que dizem que “os medicamentos para TDAH são inespecíficos e agem em qualquer pessoa”: de fato, os antibióticos matam as bactérias em qualquer um, mas só curam aqueles que estão com pneumonia.
TDAH não é um mito. Muito daquilo que se fala contrariamente ao seu diagnóstico e tratamento são simplesmente “achismos”, crenças sem fundamento objetivo ou científico; ou seja, são mitos. E mitos, definitivamente, não são algo em que você deva confiar quando se trata de sua saúde ou da saúde de seus filhos.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Lucas apresenta mais um video ......TDAH também é criatividade
Lucas participa do video da Comunidade Tempo de Viver onde é mebro. Ele apresenta o jornal do dia dos pais do ano que vem, isso as 03:00 da matina....gravando este horário, olha o pique do garoto.
sábado, 12 de maio de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
Transtorno de Aprendizagem
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segunda-feira, 2 de abril de 2012
Dia do Autismo - Parlamentares pedem aprovação de projetos para pessoas com autismo
Parlamentares pedem aprovação de projetos para pessoas com autismo
Brasília - Parlamentares e representantes de movimentos ligados ao autismo defenderam nesta segunda-feira a aprovação da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Eles participaram de sessão solene na Câmara para lembrar o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo.
De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), existem em todo o mundo 60 milhões de pessoas com autismo. No Brasil, estima-se que existam 2 milhões de pessoas com a doença, descoberta há 66 anos, que afeta a capacidade de comunicação e de relacionamento. O Projeto de Lei 1.631/11, que institui a política, já teve o aval do Senado.
A matéria, aprovada por unanimidade na semana passada pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, segue agora para apreciação da Comissão de Seguridade Social. O relatório elaborado pelo deputado Roberto Policarpo (PT-DF) altera, entre outros pontos, o regime dos direitos no serviço público permitindo que portadores do autismo tenham flexibilidade de horário de trabalho, sem necessidade de compensação.
Segundo o relator, o projeto ajudará a derrubar o mito de que o autista vive “em outro mundo e gosta de solidão”. “Apesar das dificuldades, ele quer se comunicar e tem condições de conviver com a sociedade, longe do preconceito”, destacou Policarpo. “As escolas que alegam não ter condições de recebê-los mostram uma inversão, pois se a educação estiver bem preparada vai atingir por igual todos os estudantes”, completou.
De acordo com a vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, a deputada Erika Kokay (PT-DF), as famílias não contam atualmente com apoio médico e psicológico na rede pública de saúde para o tratamento da doença.
Na noite desta segunda-feira, o monumento do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro e o prédio do Ministério da Saúde, em Brasília, vão ser receber luzes azuis, a exemplo do que vai acontecer com monumentos em diversas partes do mundo, chamando atenção para a causa do autismo. O governo do DF vai disponibilizar um centro de informações sobre o autismo em seu site, permitindo que pais, professores e defensores da causa encontrem informações sobre esse tipo de doença.
As informações são da Agência Brasil
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
TDAH - Entrevista com o Dr. Erasmo Barbante Casella
Vale a pena assistir esta entrevista devido a credibilidade do programa da rede Bandeirantes.
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
PESQUISA PARA PREVENIR TDAH EM CRIANÇAS - Por ABDA
O ProDAH (Programa de Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade da UFRGS) e o SEPIA (Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência da USP) estão iniciando uma pesquisa na área de prevenção do transtorno do déficit de atenção/hiperatividade em crianças consideradas de risco para diagnóstico de TDAH.O procedimento da pesquisa não é farmacológico e demonstrou bons resultados em estudos anteriores.
As equipes estão selecionando, em Porto Alegre e São Paulo, crianças de 5 a 8 anos que apresentem algum sintoma hiperativo, impulsivo ou de desatenção e que tenham familiar próximo - pai, mãe ou irmão - com TDAH diagnosticado.
É essencial ter pai, mãe ou irmão - com TDAH diagnosticado.
Para maiores informações:
Porto Alegre - ligar para (51) 8484-7912 - de segunda à sexta, entre 18:00 e 19:00
São Paulo - ligar para (11) 6595-4349 - de segunda à sexta entre 09:00 e 17:00 (deixe um recado na secretária eletrônica com seu nome e telefone)
PRODATH - Projeto de Déficit de Atenção e Hiperatividade (adultos)
Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
Rua Dr. Ovídio Pires de Campos, 785 - ambulatório térreo - HC - USP
Cerqueira César - SP
CEP: 05403-010
MARCAÇÃO DE CONSULTAS – (Só para Projetos de Pesquisa e que o interessado tenha disponibilidade de tempo para participar do mesmo)
INFORMAÇÕES: às 4ªs feiras das 8:30h até 12h - telefone(11) 3069-6971
Coordenador: Dr. Mário Louzã Neto
• ADHDA - Ambulatório para Distúrbios Hiperativos e Déficit de Atenção (crianças e adolescentes)
Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência - HC - USP
Av. Dr. Ovídio Pires de Campo, s/n - CEP 05403-010
Telefone : (11) 3069-6509 ou 3069-6508
Coordenador: Dr. Ênio Roberto de Andrade
• Ambulatório de TDAH em São Paulo, SP
Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência (UPIA)
Universidade Federal de São Paulo (EPM/UNIFESP)
R. Borges Lagoa, 570
Vila Clementino
Coordenadores: Prof. Dra. Maria Conceição do Rosário
Atendimento gratuito
Atende crianças e adolescentes
Os interessados podem dirigir-se ao Departamento de Psiquiatria de segunda a sexta, das 8 as 12 e das 14 as 17 horas para entregar encaminhamento e fornecer dados para a triagem .
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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Procurando escola - A preocupação de achar a correta para meu filho
Sofremos juntos com nossos filhos quando descobrimos que a escola que estavam não entendeu e nem ajudou os problemas que acompanham o tdah. E ai.... começamos a nossa saga de Indiana Jones em busca da escola perdida. O grande problema é que depois de acostumar com amigos e alguns professores que entendem (não todos) o seu problema, ele vai ter que sair da escola devido a falta de capacitação das coordenadoras e donos da escola. Descobri que a orientadora escolar não tem nenhum preparo pedagógico, ou seja, não possui nenhuma formação pedagógica - Da pra entender a qualidade do ensino e também da falta de capacidade pedagógica que a escola possui. Mas o problema não é deles mesmo!
Pra que se preparar se a mensalidade de todos os alunos da escola cai no bolso sem ter a preocupação de saber se a orientadora é preparada para lidar com a impulsividade de um TDAH?
Pra que se preocupar se o dimdim é o mais importante do que a formação pedagógica de um aluno?
Bom, mas isso é passado e não adianta chorar o leite derramado porque eles vão continuar tratando as crianças desta forma, o melhor é sair do Egito e deixar sua escravidão.
Como estou em busca de uma escola preparada para lidar com o meu filho, achei uma escola da qual se fala muito bem, mas o grande problema é que fica longe pra mim. Talvez pra você seja uma grande benção de Deus, vale a pena dar uma chegadinha lá.
Quero indicar a WINNICOTT , uma escola em São Paulo que é especializada em TDAH.
Vale a pena dar uma pesquisada e fazer uma visita .
Eu continuo em busca de uma escola para um TDAH Impulsivo em São Bernardo do Campo
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Identificar déficit de atenção é desafio para pais e professores
O nosso blog saiu no site Terra - Dei uma entrevista para o site sobre TDAH, as atitudes da escola que meu filho esta atualmente e que não sabem lidar com ele devido a falta de conhecimento e de vontade(o uniforme é de outra escola) - Leia a entrevista abaixo
As notas começaram a baixar quando o pequeno Lucas estava na terceira série. Cada vez mais, o menino mostrava comportamento agitado durante as aulas e dificuldade de compreender o conteúdo que a professora ensinava.
A escola alertou o pai, que procurou tratamento. Depois de alguns testes, o diagnóstico: Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
A pedagoga especialista em orientação educacional Maria Cristina Bromberg defende que os professores são as pessoas mais capacitadas para identificar o problema em um estudante. Foi assim com Lucas, hoje com 13 anos.
O pai, Alexandre Farias Torres, conta que o filho começou a tirar notas baixas e a apresentar comportamento agitado. "A professora percebeu que não era uma desatenção comum e me avisou. Levei o Lucas para o psicóloga e ele foi diagnosticado", conta o morador de São Bernardo do Campo.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 6% das crianças em fase escolar são diagnosticadas com TDAH. Para o psicólogo Fernando Elias José, trata-se de um dos problemas que mais interfere no estudo de crianças e adolescentes atualmente.
A síndrome é caracterizada por desatenção, hiperatividade e impulsividade. Entre os principais sintomas percebidos em ambiente escolar estão a falta de atenção, cometer frequentemente erros por descuido, não seguir instruções, dificuldade de organização e perda constante de materiais necessários para as tarefas e atividades diárias. "O paciente que apresenta impulsividade costuma realizar brincadeiras inadequadas que podem atrapalhar a turma inteira", afirma Elias José.
Para a pedagoga Maria Cristina, mestre em distúrbios do desenvolvimento, é papel da escola procurar esclarecer as causas dos problemas. "A primeira avaliação deve ser feita por um grupo interno; depois, as preocupações são transmitidas aos pais, mostrando-se opções para um diagnóstico correto, que pede a avaliação de profissionais de outras áreas. Uma vez determinado o problema, pais, professores e terapeutas planejam juntos as estratégias e intervenções a serem implementadas", defende a especialista.
Porém, Elias José alerta para o fato de que a maioria dos professores não está preparada para reconhecer a desatenção como um problema. "Todas as crianças são inquietas, mas aquelas com TDAH são extremamente inquietas e desatentas", diz, completando que não é difícil detectar os alunos com déficit de atenção. "São aqueles que estão sempre com notas baixas, sempre sem material escolar, constantemente atrapalhando a aula por hiperatividade. O problema é que a primeira reação dos educadores é considerar essa criança simplesmente mal educada", diz.
Atualmente, é isso que acontece com Lucas. Depois que foi diagnosticado com a síndrome, o menino de 13 anos mudou de escola e começou um tratamento com medicamento e psicoterapia. "Eu só o troquei de escola porque a de antes era muito puxada (Colégio Ábaco), e é muito sofrimento para uma criança com TDAH acompanhar um currículo rígido. Mas, infelizmente, o colégio que ele frequenta agora não o compreende", conta o pai.
Por este motivo, o pai de Lucas decidiu criar o blog Criança Hiperativa, onde escreve sobre o problema e também conta sobre o filho. "Criei o blog para que os professores do Lucas entendessem o que é uma criança com TDAH, mas infelizmente, muitos não têm interesse em se conscientizar sobre este problema que não afeta apenas a ele, mas milhares de crianças pelo mundo todo", fala, completando que seu objetivo não é impedir que o filho seja reprimido, mas sim que seja orientado de forma eficaz.
O psicólogo Elias José defende o tratamento diferenciado para os estudantes com déficit de atenção. "Se a síndrome foi diagnosticada e comprovada, não vejo motivo para que os professores não ajudem essa criança", defende, afirmando que aulas de reforço extraclasse e mais tempo para a realização de uma prova são algumas das atitudes recomendadas.
Nos Estados Unidos, lei exige professor a mais para quem tem TDAH
A pedagoga Maria Cristina ainda afirma que um estudante com TDAH leva de três a quatro vezes mais tempo para fazer uma lição de casa do que seus colegas. Por este motivo, nos Estados Unidos é regulamentada por lei a obrigatoriedade de uma instituição de ensino fornecer um professor a mais para acompanhar uma criança com déficit de atenção. No Brasil, existe um projeto de lei referente ao tema que tramita na Câmara desde 2008. Pelo projeto do Senado 402/08, o poder público deve manter programa de diagnóstico e de tratamento para estudantes da educação básica com dislexia e TDAH. Isso seria feito por meio de uma equipe multidisciplinar, com a participação de educadores, psicólogos, psicopedagogos e médicos.
Apesar de ainda não existir lei nacional, algumas escolas já estão investindo em profissionais especializados no tema. No Rio de Janeiro, a escola particular Esil Educacional oferece o Espaço Integrar, uma sala onde alunos portadores da síndrome recebem orientação de um pedagogo, que além de ajudar em estudos e lição de casa, também pode auxiliar em sala de aula quando necessário.
Porém, a iniciativa ainda é realidade distante para a maioria dos colégios. Hoje, Farias está a procura de uma escola preparada para lidar com seu filho. "Não queria ter que mudá-lo de escola outra vez, pois ele tem muitos amigos lá. Mas está sofrendo, os professores não o orientam e sim o punem. Eles têm um sistema de bilhetes verdes para quem fez algo errado. Todos os dias meu filho recebe um", reclama. "A escola tem um laudo psicológico explicando como o Lucas se comporta e suas dificuldades. Uma delas é o maior grau de déficit de atenção, mas os coordenadores, inspetores e professores, não todos, fazem de conta que isso não existe e preferem lidar com os métodos ditadores", lamenta.
Maria Cristina afirma que os pais devem verificar o nível de conhecimento da direção e dos professores da escola acerca do TDAH. Se houver desconhecimento, os responsáveis devem conversar com o corpo docente para ver se este está disposto a aprender e a auxiliar o estudante de maneira adequada. Para a pedagoga, se a resposta for negativa, é melhor nem arriscar.
A especialista ainda explica que a melhor escola para uma criança com a síndrome é aquela que busca desenvolver o potencial específico de cada um, reforçando os pontos fortes e superando os pontos fracos.
Fonte : ENTREVISTA DADA AO SITE TERRA
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sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Escolas especializadas em déficit de atenção - matéria da revista ISTO É
Centros de apoio e colégios buscam conhecimento para lidar com portadores de transtorno que prejudica o aprendizado
Claudia Jordão
O aluno não para quieto na sala de aula, pede para ir ao banheiro o tempo todo, puxa conversa com os colegas de classe. As consequências desse tipo de comportamento costumam se refletir nas notas vermelhas do boletim. Até há alguns anos, estudantes com esse perfil eram tachados de bagunceiros ou, até mesmo, sem educação.
Hoje em dia, no entanto, sabe-se que muitos deles possuem o TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. De ordem neurobiológica, ele provoca desatenção, inquietude e impulsividade, atinge de 3% a 5% das crianças e costuma ser tratado com uma com binação de medicamentos, terapia e orientação pedagógica.
Especialistas defendem a ideia de que o portador desse transtorno deve frequentar a sala de aula e contar com o apoio de um segundo professor, só para ele, como acontece nos Estados Unidos, onde esse direito é garantido por lei. No Brasil, não há legislação a respeito, mas começam a surgir centros de apoio ao aluno - que oferecem aulas particulares com base no currículo da instituição de ensino regular -, e escolas têm buscado especialização para lidar com a questão de maneira eficiente.
É o caso, por exemplo, do centro de apoio ao aluno Vésper, em São Paulo. Aberto a qualquer aluno que tenha dificuldade no aprendizado, ele oferece aos portadores do TDAH atendimento individual. Psicopedagogos e professores os ajudam a fazer a lição de casa e os orientam em questões relacionadas ao aprendizado.
"No Estudo Orientado trabalhamos, através de atividades específicas, organização, atenção, concentração e técnicas que melhoram a profundidade de leitura", diz a fundadora do Vésper, Nívea Basile. Com 30 anos de profissão, a psicopedagoga diz que o ensino de alunos com o déficit de atenção ou hiperativos é tema fundamental nos dias atuais. "Tenho a impressão de que o problema cresce a cada ano", diz. "A rotina das crianças em casa é corrida, elas mudam demais de escola, isso prejudica tudo." Por isso, Nívea faz questão de ter um ambiente tranquilo a seu favor. Ela e seus professores falam baixo e pausadamente. Suas mensagens são claras e diretas.
Esse suporte também começa a existir em algumas escolas particulares. Psicóloga da Esil Educacional, no Rio de Janeiro, Andréa Rosa nutre o desejo de dar aos alunos da instituição a mesma estrutura oferecida nos Estados Unidos. "Meu sonho é ter um tutor por sala de aula", diz. No ano passado, ela ajudou a implementar o Espaço Integrar, uma sala que tem a presença de um pedagogo especializado, capaz de acolher o estudante com déficit de atenção e hiperatividade e o profes sor dele em situações mais delicadas.
Além disso, se for indicado, esse profissional pode auxiliar em sala de aula, dependendo da atividade. Muitos dos mestres da escola já têm MBA em inclusão. Educadores do Colégio Singular, rede de escolas no ABC paulista, fizeram um curso no início do ano sobre o tema. Oferecido pelo NEA (Núcleo Especializado de Aprendizado), da Faculdade de Medicina do ABC, reuniu neuropediatra, psicólogos e psicopedagogos. O programa despertou tanto interesse nos educadores que sete deles já iniciaram a pós-graduação em capacitação e aperfeiçoamento em dislexia e TDAH, também na Faculdade de Medicina do ABC.
"Na ânsia de encontrar respostas para o mau desempenho de seus filhos na escola, os pais recorrem cada vez mais ao termo", diz Daniela Antico, orientadora do Singular, em São Bernardo do Campo. "Queremos ter mais condições de diferenciar a criança hiperativa da indisciplinada." Portadora do transtorno e educadora há 30 anos, a psicopedagoga Rosemeire Henriques se arrisca a dizer que muitas crianças, com níveis mais baixos do transtorno, poderiam abrir mão da medicação, recurso muito utilizado, se tivessem um acompanhamento adequado em casa e na escola. "Os alunos estão chegando para as aulas dopados", diz.
A inclusão com qualidade cresceu, mas está longe de ser ideal. Mãe de Diego, 10 anos, a executiva de vendas Débora Gomes diz que o filho sofreu preconceito nas escolas por onde passou até ser matriculado no Esil, no ano passado. "Foram quatro escolas em quatro anos", conta. "Agora, ele já não se sente mais culpado por tudo de ruim que acontece ao seu redor." Assim como o tratamento de Diego, a mudança de mentalidade dos educadores, apesar de significativa, está apenas começando.
FONTE : REVISTA ISTO É
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