segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Volto com o blog com mais informações

Olá, estive longe de vocês mais estou voltando com novas matérias sobre transtornos TDAH .

Saiu esta matéria na O GLOBO

TDAH ainda é um transtorno mal compreendido

Diagnósticos errados e mau uso de remédios aumentam desinformação sobre déficit de atenção e hiperatividade

por 

Diagnosticados com TDAH, os irmãos Igor e Pâmela lidam bem com sintomas. A mãe (centro), Cláudia, buscou ajuda cedo
Diagnosticados com TDAH, os irmãos Igor e Pâmela lidam bem com sintomas. A mãe (centro), Cláudia, buscou ajuda cedo
RIO - “Já ouvi que só era boa aluna porque tomava ritalina”, lembra Pâmela Rodrigues, de 18 anos, estudante de engenharia agrícola na UFF, em tratamento pelo Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) desde os 10 anos. Não é raro que pacientes com o problema tenham que lidar com a desconfiança e o preconceito, em geral frutos da falta de informação sobre o distúrbio e seu tratamento. O frequente mau uso de remédios e diagnósticos equivocados agravam o problema, segundo especialistas reunidos na última edição dos Encontros O GLOBO Saúde e Bem-Estar.
POLÊMICA EM PRESCRIÇÃO DE REMÉDIO
Para complicar ainda mais, a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo acaba de adotar novas regras para o acesso aos medicamentos. Numa portaria que passará a valer em outubro, o órgão pede que toda vez que o metilfenidato — componente da ritalina, praticamente única alternativa no tratamento do TDAH — for prescrito na rede pública, um grupo multidisciplinar de profissionais reavalie o caso do paciente. A justificativa do órgão é evitar o uso excessivo de remédio e garantir o acompanhamento do indivíduo. Mas a Associação Brasileira de Psiquiatria reagiu à medida, acusando-a de obstruir o acesso ao tratamento da população de baixa renda, além de limitar a autonomia do médico.
— Essa é mais uma barreira que se coloca no tratamento — acrescentou Cláudio Domênico, cardiologista e curador do evento realizado, na última quarta-feira, na Casa do Saber O GLOBO. — Muitas pessoas fazem mau uso do remédio, usam para virar a noite estudando ou dirigindo. Essa não é a indicação da bula, e isto acaba atrapalhando sua prescrição correta.
Embora seja um medicamento de tarja preta, a ritalina é comprada com facilidade no Brasil, hoje o segundo maior consumidor do remédio do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. De julho de 2012 a julho de 2013 foram comercializadas no país 2,75 trilhões de caixas com metilfenidato, o equivalente a R$ 54,2 bilhões, segundo a consultoria IMS Health.
Nos Estados Unidos, aliás, dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) revelavam em 2011 que cerca de 11% das crianças americanas (6,4 milhões) tinham o transtorno, contra 7,8% em 2003. Além disso, 3,5 milhões delas faziam uso do medicamento, e na década de 1990 eram apenas 600 mil. Dados como este e a declaração em 2012 de Leon Eisenberg, considerado “o pai do TDAH”, de que tratava-se “de um excelente exemplo de doença fictícia” iniciaram o debate sobre o possível excesso de diagnóstico e de prescrição de remédios no país.
Esta preocupação foi rebatida pelo psiquiatra Paulo Mattos, autor do livro sobre TDAH “No Mundo da Lua”, durante o evento do GLOBO. Ele citou um estudo publicado este ano por um grupo de pesquisadores brasileiros na “International Journal of Epidemiology”, revelando que a prevalência do TDAH não variou de 1985 a 2012 no mundo.
— Qual é a diferença deste estudo para outros que mostram um aumento? Só foram incluídos os casos cujo diagnóstico tinha sido feito por especialistas, a partir de critérios específicos — afirma Mattos. — Sabe como fizeram o estudo do CDC? Ligavam para os pais e perguntavam: “alguém já disse que seu filho tem TDAH”? Esse não é um diagnóstico preciso.
Mattos citou ainda outro estudo do mesmo grupo publicado em 2007 mostrando que o número de pessoas com TDAH no mundo é basicamente o mesmo, independente da região.
— Se a prevalência na África é igual à dos Estados Unidos, não pode ser um fenômeno cultural — disse.
Ainda de acordo com Mattos, a maioria dos brasileiros com TDAH não recebe tratamento. Segundo estudo publicado por ele e outros pesquisadores na “Revista Brasileira de Psiquiatria”, menos de 20% daqueles com o distúrbio são medicados.
— Eu estudo pessoas que têm o problema, então não podemos deixar que o uso não médico atrapalhe o que eu faço. Sei que na verdade, no país, temos poucas pessoas sendo tratadas — afirma o especialista.
Não é o caso de Pâmela e Igor Rodrigues, de 16 anos. Irmãos, ambos foram diagnosticados com TDAH e usam medicamento. A mãe, Cláudia, conta que, no início, foi resistente.
— Eu era contra. Chorei uns dois dias sem parar quando recebi o diagnóstico do Igor, que foi o primeiro, aos 6 anos. Eu só tratava meus filhos com homeopatia, nunca dava antibióticos, e, de repente, prescreveram um remédio tarja preta — relembra Cláudia, que hoje defende o tratamento. — Eles têm nitidamente uma qualidade de vida melhor.
Mesmo assim, ela ainda precisa se explicar aos desconfiados e diz ter sido chamada de “louca” por parentes e professores. Mas da época em que Igor não era tratado, Cláudia não tem tanta saudade:
— Ele escalava tudo, não parava um minuto, não dormia mais do que três horas seguidas. E eu o vigiava a noite inteira, porque era perigoso deixá-lo sozinho.
O diagnóstico só veio seis meses depois da primeira consulta com um psiquiatra, após conversas, questionários, avaliações por parte de professores e observação da criança. Além de medicamento, o jovem também fez terapia cognitivo-comportamental, a mais recomendada para estes pacientes.
‘JÁ ME PEDIRAM PARA VENDER RITALINA’
No caso de Pâmela, os sintomas não eram tão aparentes:
— Eu era muito estabanada, derrubava tudo. Demorava o triplo do tempo de qualquer pessoa para fazer uma tarefa, porque não ficava sentada um minuto. Não me concentrava.
Hoje, ambos falam sem problemas do TDAH, mas ela admite que, às vezes, há um mal-entendido sobre o distúrbio e o uso do remédio.
— Já me pediram até para vender ritalina para fazer prova — lembra.
Presidente da Associação Brasileira de Déficit de Atenção, a psicóloga Iane Kestelman tem dois filhos com o TDAH e conta que a entidade foi criada, há 15 anos, por causa da desinformação sobre o tema.
— São pessoas que sofrem muito, podem ter vidas prejudicadas se não forem assistidas — alerta.
Iane critica a desatenção por parte do governo. Ela lembra que há projetos de lei ainda em tramitação, mas ainda nada aprovado sobre o TDAH. E conta ter feito parte de um grupo de trabalho em 2008 no Ministério da Educação para elaborar um documento com diretrizes de inclusão pedagógica de pessoas com TDAH. O grupo surgiu em reação à exclusão do transtorno no texto da Política Nacional de Educação Especial.
— Depois de muita dificuldade, produzimos o documento. Mas ele sequer foi distribuído ou colocado em prática. Absolutamente nada está sendo feito — denuncia. — Foi no ministério, inclusive, a primeira vez que ouvi que teríamos que discutir se o TDAH realmente existia, tamanha a desinformação deles.
O Ministério da Educação respondeu, por nota, que o “documento preliminar” está no Conselho Nacional de Educação. O ministério ainda garante que tem trabalhado junto a universidades para difundir o conhecimento sobre o transtorno.
SAIBA MAIS SOBRE O TDAH
Comprovação
O TDAH está descrito no DSM 5, a chamada “bíblia da psiquiatria”, que define diretrizes de diagnóstico e tratamento de distúrbios mentais. Também é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde. São 18 sintomas, que vão de desatenção e hiperatividade à impulsividade.
Causas
O transtorno tem um forte componente genético e afeta entre 3% a 5% das crianças do mundo. Segundo estudos, há alterações na região frontal do cérebro, responsável por autocontrole, memória, atenção e organização.
Como se manifesta
Crianças e adolescentes com TDAH são muito agitadas e inquietas. Falam e gesticulam muito. Adultos costumam ter dificuldade de organizar e planejar suas atividades. Não conseguem focar e acabam deixando trabalhos pela metade.
Diagnóstico
O diagnóstico é clínico, ou seja, não existe um exame capaz de identificá-lo. Por isso, está sujeito a interpretações equivocadas. Questionários (para adultos e crianças), entrevista com os pacientes, pais, professores e até observação do indivíduo fazem parte do processo. Pode levar meses até o veredicto ser dado.
Tratamento
Geralmente há uma combinação de medicamento, orientação de pais e professores, e técnicas específicas para lidar com o transtorno. A terapia cognitivo-comportamental é indicada aos portadores de TDAH.

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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Entenda o TDAH nos critérios do DSM-V


O que mudou no diagnóstico do TDAH com a nova edição do DSM-V, o Manual de Estatística e Diagnóstico de Transtornos Mentais
Escrito pelo Prof. Dr. Paulo Mattos

Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Mestre e Doutor em Psiquiatria e Saúde Mental
Pós-doutor em Bioquímica
Presidente do Conselho Científico da ABDA
Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro
Mestre e Doutor em Psiquiatria e Saúde Mental
Pós-doutor em Bioquímica
Presidente do Conselho Científico da ABDA - See more at: http://www.tdah.org.br/br/textos/textos/item/331-o-mito-do-tdah-como-entender-o-que-voc%C3%AA-ouve-por-a%C3%AD.html#sthash.SUuMUkz0.dpuf
O chamado “DSM”, Manual de Estatística e Diagnóstico da Associação Americana de Psiquiatra, teve a sua quinta edição lançada no congresso de psiquiatria, ocorrido em São Francisco, em maio de 2013.
O seu planejamento começou muitos anos antes, em 1999, quando uma série de colaborações delineou as questões que precisavam ser mais bem esclarecidas na então vigente quarta edição, DSM-IV, sempre através de pesquisas científicas. Uma segunda fase, entre 2003 e 2008, compreendeu 13 conferências internacionais com os maiores especialistas de cada uma das diferentes áreas (transtornos infantis, transtornos de ansiedade, dependência de drogas, doenças degenerativas, etc.), incluindo o TDAH. A confecção do DSM-V envolveu os chamados Grupos de Trabalho, Grupos de Estudo e as chamadas Forças-Tarefa, a quem coube a maior parte da revisão dos critérios diagnósticos que constituem o manual. Parte do trabalho realizado por todos estes pesquisadores será utilizada na confecção da CID-11, a futura versão da Classificação Internacional de Doenças proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é a referencia oficial para diagnósticos na maioria dos países do mundo, incluindo o Brasil. O Professor Luis Rohde, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, fez parte da equipe responsável pelo TDAH. Cerca de 300 consultores internacionais foram ouvidos, além de milhares de comentários postados no site por médicos especialistas e não especialistas, pacientes e familiares, além das associações de pacientes.
Alguns diagnósticos psiquiátricos pouco ou nada mudaram na quinta edição, outros se modificaram de modo significativo; alguns diagnósticos novos foram propostos e outros foram abandonados. No caso do TDAH, foram poucas as modificações.
A lista de 18 sintomas, sendo 9 de desatenção, 6 de hiperatividade e 3 de impulsividade (este dois últimos computados conjuntamente) permaneceu a mesma que na edição anterior. O ponto-de-corte para o diagnóstico, isto é, o número de sintomas acima do qual se faz o diagnóstico, também permaneceu o mesmo (6 sintomas de desatenção e/ou 6 sintomas de hiperatividade-impulsividade). No caso de adultos, este número passou para 5 sintomas, o que é um novo critério. A lista de sintomas de desatenção e hiperatividade-impulsividade compreende o critério A. Todos estes sintomas, para serem considerados clinicamente significativos, devem estar presentes pelo menos durante 6 meses e serem nitidamente inconsistentes com a idade do indivíduo (ou seja, ser muito mais desatento ou inquieto do que o esperado para uma determinada idade).
A necessidade de haver comprometimento em pelo menos duas áreas diferentes (casa e escola, por exemplo), critério C, permaneceu como antes. A necessidade de haver claro comprometimento na vida acadêmica, social, profissional, etc. (critério D), também permaneceu idêntica.
O critério E se modificou em relação à DSM-IV. Antes, não era possível fazer o diagnóstico de TDAH caso houvesse um quadro de Autismo, o que agora é possível. Entretanto, permanecem as exigências de os sintomas não ocorrerem exclusivamente durante outro quadro (esquizofrenia, por exemplo) e não serem mais bem explicados por outro transtorno (ansiedade e depressão, por exemplos).
O critério B, que determina a idade de início dos sintomas, também se modificou. Anteriormente, era necessário demonstrar que os sintomas estivessem presentes antes dos 7 anos de idade, o que era particularmente difícil no caso de adultos com TDAH que geralmente tem dificuldade para lembrar-se deste período e cujos pais já são mais velhos. O limite de idade foi modificado para 12 anos, algo que alguns grupos de pesquisa já vinham fazendo anteriormente.
Os “subtipos” foram retirados do manual; ao invés disso, optou-se pelo emprego do termo “apresentação”, denotando que o perfil de sintomas atuais pode se modificar com o tempo (o que é bastante comum). O termo “subtipo” favorecia uma interpretação errada que aquela era uma “subcategoria” estável, fixa, do TDAH. As apresentações mantem as mesmas “divisões” que os antigos subtipos: com predomínio de desatenção, com predomínio de hiperatividade-impulsividade e apresentação combinada.
O novo DSM-V traz a opção de TDAH com Remissão Parcial, que deve ser empregado naqueles casos onde houve diagnóstico pleno de TDAH anteriormente (isto é, de acordo com todos os critérios), porém com um menor numero de sintomas atuais.
Uma última novidade desta quinta edição é a possibilidade de se classificar o TDAH em Leve, Moderado e Grave, de acordo com o grau de comprometimento que os sintomas causam na vida do indivíduo.
A DSM-V recebeu algumas críticas por parte da imprensa e de alguns pesquisadores, porém nenhuma das críticas apresentadas com relação ao diagnóstico de TDAH foi fundamentada em resultado de pesquisa científica, mas sim em meras “opiniões pessoais”, algo que é obviamente inaceitável nos tempos modernos. Cabe ressaltar que o uso do DSM-V tem como maior benefício padronizar diagnósticos clínicos (mesmo que de modo imperfeito), diminuindo a variabilidade que ocorreria caso cada pesquisador tivesse sua “opinião pessoal” sobre o assunto. Não seria possível, por exemplo, comparar os resultados de um tratamento realizado por uma equipe X com aqueles realizados por outra equipe Y, se cada uma delas chamar de “TDAH” um quadro clínico muito diferente. Por fim, é importante dizer que os critérios do sistema DSM-V devem ser investigados por um profissional com experiência clínica. Por motivos óbvios, não é possível fazer um diagnóstico definitivo conhecendo apenas a lista de sintomas que caracteriza uma determinada doença.
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sábado, 20 de abril de 2013

Algumas Estratégias Pedagógicas para Alunos com TDAH:


Algumas Estratégias Pedagógicas para Alunos com TDAH:
Atenção, memória sustentada:
Algumas técnicas para melhorar a atenção e memória sustentadas

1 – Quando o professor der alguma instrução, pedir ao aluno para repetir as instruções ou compartilhar com um amigo antes de começar as tarefas.
2 – Quando o aluno desempenhar a tarefa solicitada ofereça sempre um feedback positivo (reforço) através de pequenos elogios e prêmios que podem ser: estrelinhas no caderno, palavras de apoio, um aceno de mão... Os feedbacks e elogios devem acontecer SEMPRE E IMEDIATAMENTE após o aluno conseguir um bom desempenho compatível com o seu tempo e processo de aprendizagem.
3 – NÃO criticar e apontar em hipótese alguma os erros cometidos como falha no desempenho. Alunos com TDAH precisam de suporte, encorajamento, parceria e adaptações. Esses alunos DEVEM ser respeitados. Isto é um direito! A atitude positiva do professor é fator DECISIVO para a melhora do aprendizado.
4 – Na medida do possível, oferecer para o aluno e toda a turma tarefas diferenciadas. Os trabalhos em grupo e a possibilidade do aluno escolher as atividades nas quais quer participar são elementos que despertam o interesse e a motivação. É preciso ter em vista que cada aluno aprende no seu tempo e que as estratégias deverão respeitar a individualidade e especificidade de cada um.
4 – Optar por, sempre que possível, dar aulas com materiais audiovisuais, computadores, vídeos, DVD, e outros materiais diferenciados como revistas, jornais, livros, etc. A diversidade de materiais pedagógicos aumenta consideravelmente o interesse do aluno nas aulas e, portanto, melhora a atenção sustentada.
5 – Utilizar a técnica de “aprendizagem ativa” (high response strategies): trabalhos em duplas, respostas orais, possibilidade do aluno gravar as aulas e/ou trazer seus trabalhos gravados em CD ou computador para a escola.
6 – Adaptações ambientais na sala de aula: mudar as mesas e/ou cadeiras para evitar distrações. Não é indicado que alunos com TDAH sentem junto a portas, janelas e nas últimas fileiras da sala de aula. É indicado que esses alunos sentem nas primeiras fileiras, de preferência ao lado do professor para que os elementos distratores do ambiente não prejudiquem a atenção sustentada.
7 – Usar sinais visuais e orais: o professor pode combinar previamente com o aluno pequenos sinais cujo significado só o aluno e o professor compreendem. Exemplo: o professor combina com o aluno que todas as vezes que percebê-lo desatento durante as atividades, colocará levemente a mão sobre seu ombro para que ele possa retomar o foco das atividades.
8 – Usar mecanismos e/ou ferramentas para compensar as dificuldades memoriais: tabelas com datas sobre prazo de entrega dos trabalhos solicitados, usar post-it para fazer lembretes e anotações para que o aluno não esqueça o conteúdo.
9 – Etiquetar, iluminar, sublinhar e colorir as partes mais importantes de uma tarefa, texto ou prova.

Tempo e processamento das informações

1 – Usar organizadores gráficos para planejar e estruturar o trabalho escrito e facilitar a compreensão da tarefa. Clique aqui para ver um exemplo.
2 – Permitir como respostas de aprendizado apresentações orais, trabalhos manuais e outras tarefas que desenvolvam a criatividade do aluno.
3 – Encorajar o uso de computadores, gravadores, vídeos, assim como outras tecnologias que possam ajudar no aprendizado, no foco e motivação.
4 – Reduzir ao máximo o número de cópias escritas de textos. Permitir a digitação e impressão, caso seja mais produtivo para ao aluno.
5 – Respeitar um tempo mínimo de intervalo entre as tarefas. Exemplo: propor um trabalho em dupla antes de uma discussão sobre o tema com a turma inteira.
6 – Permitir ao aluno dar uma resposta oral ou gravar, caso ele tenha alguma dificuldade para escrever.
7 – Respeitar o tempo que cada aluno precisa para concluir uma atividade. Dar tempo extra nas tarefas e nas provas para que ele possa terminar no seu próprio tempo.

Organização e técnicas de estudo

1 – Dar as instruções de maneira clara e oferecer ferramentas para organização do aluno desenvolver hábitos de estudo. Incentivar o uso de agendas, calendários, post-it, blocos de anotações, lembretes sonoros do celular e uso de outras ferramentas tecnológicas que o aluno considere adequado para a sua organização.
2 – Na medida do possível, supervisionar e ajudar o aluno a organizar os seus cadernos, mesa, armário ou arquivar papéis importantes.
3 – Orientar os pais e/ou o aluno para que os cadernos e os livros sejam “encapados” com papéis de cores diferentes. Exemplo: material de matemática – vermelho, material de português – azul, e assim sucessivamente. Este procedimento ajuda na organização e memorização dos materiais.
4 – Incentivar o uso de pastas plásticas para envio de papéis e apostilas para casa e retorno para a escola. Desta forma, todo o material impresso fica condensado no mesmo lugar minimizando a eventual perda do material.
5 – Utilizar diariamente a agenda como canal de comunicação entre o professor e os pais. É extremamente importante que os pais façam observações diárias sobre o que observam no comportamento e no desempenho do filho em casa, assim como o professor poderá fazer o mesmo em relação às questões relacionadas à escola.
6 – Estruturar e apoiar a gestão do tempo nas tarefas que exigem desempenho em longo prazo. Exemplo: ao propor a realização de um trabalho de pesquisa que deverá ser entregue no prazo de 30 dias, dividir o trabalho em partes, estabelecer quais serão as etapas e monitorar se cada uma delas está sendo cumprida. Alunos com TDAH apresentam dificuldades em desempenhar tarefas em longo prazo.
7 – Ensine e dê exemplos frequentemente. Use folhas para tarefas diárias ou agendas. Ajude os pais, oriente-os como proceder e facilitar os problemas com deveres de casa. Alunos com TDAH não podem levar “toneladas” de trabalhos para fazer em casa num prazo de 24 horas.

Técnicas de aprendizado e habilidades metacognitivas

1 – Explicar de maneira clara e devagar quais são as técnicas de aprendizado que estão sendo utilizadas. Exemplo: explicar e demonstrar na prática como usar as fontes, materiais de referência, anotações, notícias de jornal, trechos de livro, etc.
2 – Definir metas claras e possíveis para que o aluno faça sua autoavaliação nas tarefas e nos projetos. Este procedimento permite que o aluno faça uma reflexão sobre o seu aprendizado e desenvolva estratégias para lidar com o seu próprio modo de aprender.
3 – Usar organizador gráfico (clique aqui para ver) para ajudar no planejamento, organização e compreensão da leitura ou escrita.

Inibição e autocontrole

1 – Buscar sempre ter uma postura pró-ativa. Antecipar as possíveis dificuldades de aprendizado que possam surgir e estruturar as soluções. Identificar no ambiente de sala de aula quais são os piores elementos distratores (situações que provocam maior desatenção) na tentativa de manter o aluno o mais distante possível deles e, consequentemente, focado o maior tempo possível na tarefa em sala de aula.
2 – Utilizar técnicas auditivas e visuais para sinalizar transições ou mudanças de atividades. Exemplo: falar em voz alta e fazer sinais com as mãos para lembrar a mudança de uma atividade para outra, ou do término da mesma.
3 – Dar frequentemente feedback (reforço) positivo. Assinale os pontos positivos e negativos de forma clara, construtiva, respeitosa. Este monitoramento é importante para o aluno com TDAH, pois permite que ele desenvolva uma percepção do seu próprio desempenho, potencial e capacidade e possa avançar motivado em busca da sua própria superação.
4 – Permitir que o aluno se levante em alguns momentos, previamente combinados entre ele e o professor. Alunos com hiperatividade necessitam de alguma atividade motora em determinados intervalos de tempo. Exemplo: pedir que vá ao quadro (lousa) apagar o que está escrito, solicitar que vá até a coordenação buscar algum material, etc., ou mesmo permitir que vá rapidamente ao banheiro ou ao corredor beber água. Este procedimento é extremamente útil para diminuir a atividade motora e, muitas vezes, é ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIO para crianças muito agitadas.


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Entrevista sobre TDAH para TVMAIS

Olá pessoal,

Esta semana dei uma entrevista junto com minha família para um programa de saúde que passa na TV MAIS .
Em breve darei maiores informações .
Aguardem

Políticas públicas ignoram crianças com TDAH


POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL IGNORAM CRIANÇAS COM TDAH E COM TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM

Escrito por  ABDA
    Políticas públicas educacionais no Brasil ignoram crianças com transtornos do déficit de atenção e com transtornos de aprendizagem

Profa. Dra. Ana Luiza Navas
Professora Adjunta, Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de SP 
Membro Conselho Científico da Associação Brasileira do Déficit de Atenção

Os recentes resultados de estudantes do Brasil nas avaliações do desempenho em Português e Matemática causam sérias preocupações de especialistas de diversas áreas. Essa defasagem entre o desempenho esperado para a idade e escolaridade, e o desempenho observado tem origem em questões pedagógicas, socioculturais, ambientais entre outras. Considerar todos estes fatores, é sem dúvida, necessário para que ocorra uma mudança significativa neste quadro da Educação brasileira. Investir na formação de professores, melhorar as condições de trabalho e de remuneração dos educadores, bem como adotar práticas educacionais baseadas em evidências científicas são algumas das prioridades. 
No entanto, ainda há um contingente de crianças e jovens que mesmo se estas condições educacionais fossem ideais, ainda assim, teriam dificuldades para acompanhar o processo de aprendizagem. Esse grupo de crianças corresponde de 4 a 6% da população escolar, meninos e meninas que têm Transtornos do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e/ou Transtornos Específicos de Aprendizagem (TEA). Os sinais destes transtornos são identificados na escola, mas não são restritos ao ambiente escolar. Essas crianças têm dificuldades nas funções cognitivas de atenção e memória, em alguns aspectos do desenvolvimento da linguagem, social e até emocional, e é na escola que estas dificuldades se tornam um problema maior.
A pesquisa científica no mundo inteiro, inclusive no Brasil demonstra sem ambiguidades que quanto mais cedo estes transtornos forem identificados por profissionais da saúde, melhor será o processo educacional, já que o professor que reconhece esta criança poderá usar recursos pedagógicos adequados para garantir o acesso às informações e conteúdo escolar (Elliot et al. 2007).
Desde a Declaração de Salamanca, em 1994, o Brasil tem avançado muito em suas Políticas de Educacionais na perspectiva da educação inclusiva, estabelecendo diretrizes e critérios para o acompanhamento de crianças com necessidades especiais, no ensino regular e complementação no Atendimento Educacional Especializado (Brasil, MEC, Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, 2007). A política atual destaca o apoio aos escolares com deficiências física, auditiva, visual, intelectual, transtorno global do desenvolvimento (distúrbio do espectro do autismo) e altas habilidades/superdotação (Brasil, MEC, CNE, Resolução CNE/CEB 4/2009). No entanto, o grupo de crianças com TDAH e/ou TEA não está contemplado nesta resolução que especifica o público alvo do Atendimento Educacional Especializado. 
No mundo, há legislação específica para apoio educacional e garantia de diagnóstico por equipes multidisciplinares em mais de 150 países. Como exemplo, destaco as legislações no Reino Unido e Estados Unidos da America que enfatizam a importância da identificação precoce destes casos para intervir o mais rapidamente possível (Reino Unido, Special Educational Needs Code of Practice. 2001; Estados Unidos da America, The Individuals with Disabilities Education Act, IDEA, 2004). 
Em 2010, o então Senador Gerson Camata apresentou um projeto de lei que dispõe sobre a necessidade do poder público garantir o diagnóstico e o apoio educacional das crianças e jovens com o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Dislexia, um dos Transtornos Específicos de Aprendizagem. O projeto visa corrigir esta lacuna no Brasil, já que a ausência de reconhecimento da dislexia e do TDAH nas políticas educacionais, dificulta que uma família consiga apoio na escola, e que tenha acesso aos recursos didáticos adequados para melhorar a vida escolar de seu filho. A falta de diretrizes explícitas também faz com que muitos professores rotulem crianças sem o devido encaminhamento aos profissionais de saúde que devem fazer o diagnóstico correto. Há ainda aqueles professores que encaminham estas crianças para as salas do AEE, o que não está previsto pela resolução do Conselho Nacional de Educação. 
Essas são as razões para que parte essencial deste projeto em relação à Educação seja a proposta de que os sistemas de ensino devem garantir a formação aos educadores. Professores da educação básica deverão ter amplo acesso à informação, tanto para que possam identificar precocemente os sinais indicativos da presença de transtornos de aprendizagem ou do TDAH, bem como para que possam desenvolver estratégias para o apoio educacional escolar desses educandos. Vale ressaltar que alguns profissionais devem auxiliar os professores no estabelecimento de projetos para o acompanhamento para estas crianças, como o psicólogo e/ou o fonoaudiólogo educacional.
Já em relação á área da Saúde, o projeto de lei recomenda um programa de formação continuada para melhorar a qualidade de precisão dos diagnósticos realizados nos equipamentos de saúde e garantir o acesso ao atendimento especializado por equipe multidisciplinar. Destacam-se nesta equipe os neuropsicólogos e fonoaudiólogos clínicos.
O projeto já tramitou no Senado e foi aprovado em todas as comissões em que passou (Seguridade Social e Família; Educação e Cultura; Finanças e Tributação; e Constituição, Justiça e Cidadania). No momento (dezembro 2012), o PL encontra-se na Câmara dos Deputados e já foi aprovado na  Comissão de Seguridade Social e Família. Na Comissão de Educação, o projeto de Lei 7081/2010, teve como relatora a Dep. Mara Gabrilli, e recebeu voto favorável, com apresentação de um novo substitutivo que especifica melhor as atribuições de cada setor, Educação e Saúde, para lograr o acompanhamento integral destas crianças e jovens. Ainda faltam duas comissões para a aprovação final, a Comissão de Finanças e Tributação e Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Projeto de Lei 7081/2010 clama pelo estabelecimento de políticas públicas que reconheçam as crianças com TDAH e transtornos de aprendizagem como população que precisa de apoio pedagógico em sala de aula. Caso seja aprovado caberá ao Poder executivo regulamentar esta lei, estabelecendo as suas diretrizes e inserindo estas ações em programas intersetoriais de Saúde e Educação. 
Com esta aprovação, o Brasil estaria corrigindo um equívoco e com isso melhorando as condições de sucesso de aprendizagem para este grupo de crianças que estão à margem deste processo. Infelizmente, ainda não é o bastante para sanar todas as dificuldades que o sistema educacional enfrenta, mas sem dúvida já representará um grande avanço e pelo menos esta parcela da população escolar terá condições mais justas de conseguir o sucesso no processo de aprendizagem. 

Bibliografia
  • Brasil. Ministério da Educação. Parecer CNE/CEB nº 13/2009, aprovado em 3 de junho de 2009 - Diretrizes Operacionais para o atendimento educacional especializado na  Educação Básica, modalidade Educação Especial. Disponível aqui.
  • Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria Ministerial nº 555, de 5 de junho de 2007, prorrogada pela Portaria nº 948, de 09 de outubro de 2007.
  • Elliott, S., Nan, H., Andrew, T.R. Universal and early screening for educational difficulties: Current and future approaches. Journal of School Psychology, v.45, n.2, p.137-161, 2007.
  • United Kingdom, Department of Education and Skills. Special Educational Needs Code of Practice. 2001. Disponível aqui
  • United States of America, Education Department. The Individuals with Disabilities Education Act (IDEA). 2004. Disponível aqui

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Pesquisa Cientifica sobre TDAH

Muitos pais, professores, coordenadores e donos de escolas não acreditam que o  TDAH  seja um transtorno que muitas vezes leva a criança ter algumas ãtitudes feitas pela impulsividade. Muitas crianças são tratadas como mal educadas, no entanto, a medicina já tem pesquisas cientificas a respeito do TDAH.

Conforme dados da Associação Médica Americana, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é "um dos transtornos mais bem pesquisados da medicina e a totalidade dos dados sobre sua validade são muito mais convincentes do que os da maior parte dos transtornos mentais e inclusive de muitos problemas médicos".

Leia  a Pesquisa Cientifica sobre TDAH

TDAH X dislexia - site R7

O transtorno, no entanto, não deve ser confundido com a dislexia. Enquanto o TDAH se refere ao comportamento e tarefas executivas, a dislexia tem relação com a capacidade de leitura e escrita que interfere diretamente na aprendizagem. Normalmente, quem sofre com a doença, troca ou omite letras e números com frequência. Assim, explica o pediatra Dr. Saul Cypel, membro do Departamento Científico de Pediatria do Comportamento e Desenvolvimento da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), a doença costuma ser diagnosticada quando a criança começa a aprender a ler e escrever:


— A dislexia é um processo de dificuldade severa do aprendizado da leitura, que só pode ser verificada com pelo menos dois anos de alfabetização.
Pais que se veem diante de um filho diagnosticado com dislexia ou TDAH e que está tendo dificuldades para acompanhar o ritmo dos colegas podem se ver às voltas com a seguinte dúvida: é preciso uma escola especial para meu filho?

Especialistas, no entanto, são categóricos ao dizer que a resposta é “não”. Eles ressaltam que a maior parte das escolas tem condições de trabalhar em conjunto com os pais e o médico que trata da criança para encontrar soluções às dificuldades cotidianas.

Sem contar que uma escola especial, ressalta Cleide, pode trazer estigmas e fazer com que a criança comece a ser vista como diferente.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

TDAH: cresce número de crianças que usam tarja preta

O Brasil é o segundo maior consumidor da chamada "pílula da obediência", um remédio tarja preta usado para controlar o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) em crianças e jovens.


Comercializada com o nome de ritalina, a droga promete aumentar a concentração e a atenção.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), cerca de 4% dos adultos e de 5% a 8 % de crianças e adolescentes de todo o mundo sofrem de TDAH.

Fonte: SITE R7

terça-feira, 7 de agosto de 2012

"Amor, quando é mesmo o seu aniversário?"

Por Rafael Alves Pereira*rafa_alves@hotmail.com

Alguma vez você já experimentou a situação de passar semanas planejando uma viagem com o seu marido ou namorado, escolher o melhor roteiro, garimpar as pousadas mais charmosas, pesquisar as datas mais convenientes para as reservas de passagens e, quando você imaginava que já estava tudo pronto, agendado e organizado, ele sem nem ao menos te consultar decide cancelar tudo, muda os planos e só te avisa na última hora?

Alguém também já deve ter passado pelo exercício de paciência de ter uma namorada daquelas que não param quietas um minuto, estão sempre buscando algo novo para fazer – na verdade nem precisa procurar muito, a criatividade dela se encarrega de ir emendando uma coisa na outra com uma rapidez impressionante – e nem quando vocês tiram aquele merecido descanso de final de semana, isolados em algum lugarejo nas montanhas ou numa praia tranqüila, o quadro se altera: levanta, dá uma volta, senta de novo, irrita-se porquê o celular está sem sinal e ela não consegue falar com ninguém, abre uma revista, folheia outra... Pois se você se identificou com algum destes casos tem grandes chances de ser o premiado parceiro de um portador do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).


As situações descritas podem parecer exageradas, mas são baseadas em depoimentos reais de pessoas que convivem com portadores de TDAH, um distúrbio ainda sub-diagnosticado, e que pode transformar em um rodamoinho a vida de quem sofre do problema. E os namorados, maridos, esposas e demais parceiros, que convivem diretamente com a pessoa, são carregados para o olho do furacão sem nem bem saber porquê.

O nome da enfermidade é auto-explicativo. Uma das principais queixas das pessoas que apresentam o TDAH é a falta de atenção, que vem acompanhada de dificuldade de se lembrar de pequenas coisas (e de outras nem tão pequenas assim), de guardar nomes ou ficar concentrado durante muito tempo em uma mesma atividade. Há ainda a tendência a se distrair facilmente com qualquer coisa (qualquer coisa mesmo), perder objetos, esquecer compromissos e não prestar atenção no que os outros dizem.

"Alô? Você está aí?"

Pequenos problemas como esses podem não incomodar muito quando surgem isoladamente, mas se uma mesma pessoa apresenta todos em grau acentuado, a vida íntima e social pode ficar bastante comprometida. O relacionamento a dois do portador de TDAH é muitas vezes uma prova de paciência para ambos: ao portador cabe um grande esforço para tentar vencer as limitações impostas pela enfermidade, e o parceiro precisa ter paciência redobrada para lidar com a desatenção crônica a os esquecimentos freqüentes. Quem já teve um namorado que sempre se atrasa, esquece compromissos que foram marcados com antecedência e até mesmo se distrai quando está ao telefone sabe o que é isso.

- Às vezes eu estou ao telefone com a minha namorada e ela me pergunta “Alô, você ainda esta aí?”. É que eu me distraio com qualquer coisa, me desligo sem saber. Posso estar olhando pela janela e ver um carro passando que “plim”, passo literalmente para o mundo da lua, como num passe de mágica - relata o estudante de engenharia Marcelo Medeiros, de Campinas, que descobriu recentemente que é portador de TDAH. - Mas agora ela já se acostumou e não se irrita tanto. Ela é bem relaxada e lida bem com os meus atrasos e esquecimentos – completa Marcelo, que também sofre de uma dificuldade aguda de cumprir horários.

- Nunca consigo chegar no horário. Não é exagero quando digo que me distraio muito. Quando estou me arrumando para sair com a minha namorada, às vezes, saio do banho e, quando passo pelo quarto para me vestir, vejo um CD em cima da mesa e coloco para ouvir. Depois esqueço do CD (e do encontro) e pego uma revista ou ligo a TV. Quando me lembro do que estava fazendo e olho no relógio, já estou atrasado e tenho que sair correndo – conta Marcelo. Ele lembra que já teve muitas brigas com antigas namoradas por causo dos atrasos.

- Mas a minha namorada de agora já não liga tanto. Nestes 8 meses em que estamos juntos ela já se acostumou e até faz piada. Quando digo para ela que vou passar para buscá-la às oito em ponto, ela ri e diz que vai começar a se arrumar às dez e meia.

Problemas com atrasos são uma queixa freqüente

A pessoa sai de casa às 17h, na hora em que a reunião estava marcada. Mas e se esquece do fato de escritório ficar do outro lado da cidade. O curioso é que os pacientes de TDAH são pontuais no seu atraso, eles se atrasam sempre os mesmo minutos. Se o horário é às 7h, ele vai sempre chegar às 7h15, não varia muito – explica o psiquiatra Marcos Romano, professor da PUC de Campinas.

"Pontualmente atrasado?"

É exatamente esse último item que tira muitas pessoas do sério. Partindo de um pensamento racional e perfeitamente aceitável se não fosse a lógica particular que envolve transtorno, muita gente se indaga: se a pessoa consegue chegar todos dias “pontualmente atrasado”, por que afinal é incapaz de chegar no horário?

- Há estudos que mostram que a percepção da passagem do tempo em quem sofre de TDAH é diferente da de uma pessoa normal . Ele sempre acha que pode fazer mais alguma coisa antes de sair para o compromisso. Se passa em frente ao computador acha que pode parar um minuto e responder alguns emails. Depois resolve aproveitar para fazer um telefonema e por aí vai. O paciente com TDAH vive o presente e tem dificuldade planejar o futuro – completa Marcos Romano, lembrando que em seu consultório recebe diversas pessoas que sofrem com o problema. Ele explica que em geral as mulheres procuram tratamento médico por outros problemas e depois acabam se descobrindo portadoras do TDAH. Já os homens em geral já aparecem devidamente “auto-diagnosticados”, esperando nada mais que uma confirmação médica.

Isso ocorre por que há três formas do TDAH

A forma hiperativa-impulsiva tem predomínio dos sintomas de hiperatividade e impulsividade.

A forma desatenta apresenta principalmente os sintomas de desatenção e falta de memória. Já a forma combinada possuiu os dois tipos de sintomas em freqüência semelhante.

A maioria dos homens sofre da forma combinada, com uma freqüência maior de sintomas hiperativo-impulsivos, como impulsividade, impaciência, ter “pavio-curto” e ficar em movimento o tempo todo. As mulheres, por sua vez, sofrem principalmente da modalidade desatenta. Uma moça distraída, quieta, esquecida, que nunca se lembra de onde deixou a sua bolsa e troca os nomes das pessoas é em geral mais bem tolerada que um sujeito explosivo, que se irrita com facilidade, não mede as suas palavras e não para quieto um minuto, fazendo com que as mulheres procurem ajuda profissional em um número bem menor que o de homens.

Gafes em série

Bastante paciência e jogo de cintura são essenciais para quem é parceiro de um portador de TDAH. Paciência para conviver diariamente com os esquecimentos e com a desatenção. E jogo de cintura para conseguir contornar as situações delicadas e constrangedoras que podem eventualmente ocorrer. Na verdade, que podem ocorrer com certa freqüência. A impulsividade é um dos sintomas mais visíveis no TDAH. O portador freqüentemente age por impulso e não costuma ponderar muito sobre suas atitudes, falando o que vem à cabeça. A combinação de falta de atenção, lapsos de memória e mais o ímpeto de não ter papas na língua pode fazer do portador um especialista em cometer gafes em série.

- O Eduardo às vezes solta umas frases no meio de uma conversa que me deixam morta de vergonha. Ele é muito impulsivo e, para os outros, chega a dar a impressão de que não tem muita noção dos limites e convenções sociais. Mas a verdade é que ele em geral se arrepende do que falou imediatamente – conta a jornalista Sílvia de Andrade, do Rio de Janeiro, acrescentando que nos 3 anos e meio de relação já se tornou campeã em sair de saias-justas causados pelo TDAH do marido.

- Logo que nos casamos, a irmã do Eduardo nos deu um quadro de presente para a nossa casa nova. E ele, sem nenhum traquejo ou cerimônia, disse na cara dela que não tinha gostado do quadro, que achou feio. A pobrezinha ficou com uma cara de taxo.

Sílvia diz que acontecimentos como esse são relativamente freqüentes, mas que em certa medida já aprendeu a conviver com isso.

- Mas não vou dizer que é fácil por que não é. A pessoa tem que ter muita paciência e capacidade de compreensão. De vez em quando é difícil. E tenho que tentar entender e resolver o problema, por mais irritada que eu esteja.

O doutor Romano avisa que o cônjuge precisa conhecer o TDAH e saber o que é a doença. Ele sempre recomenda que o marido ou a esposa leia sobre o assunto, que busque informações para compreender melhor como funciona o cérebro de uma pessoa que tem TDAH. O parceiro tem que saber que o transtorna faz com que a pessoa tenha uma consciência de si própria bastante precária. Romano comenta, bem humorado, que costuma dizer que a pessoa é “tão distraída que não percebe que é distraída”.

Ofender sem querer

O administrador Ricardo de Oliveira, que mora em São Paulo, admite que por mais que tente se controlar, não consegue evitar as gafes. Para ele, assim como para muitos outros que vivem com o TDAH, já se tornou rotina se arrepender daquilo que falou segundos atrás.

- Você até sabe que não deveria falar e logo depois se arrepende. Mas aí já foi, não tem o que fazer. Uma ex-namorada minha era uma garota super tranqüila e relaxada, e não se preocupava tanto quanto eu com as roupas, em se produzir. Uma vez íamos sair e logo que ela terminou de se arrumar eu disse “Mas você vai assim?”. O jeito com que ela me olhou foi suficiente para eu me arrepender na hora. A gente sabe que nunca deve falar uma coisa dessas para uma mulher assim, na cara. Mas na hora não pensei e quando vi já tinha falado.


A psiquiatra carioca Vanessa Ayrão, que realiza pesquisa sobre o TDAH no IPUB, o Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, explica que por causa da doença os pacientes, sem ter intenção, chegam a falar coisas que podem magoar os outros. Ela conta que eles freqüentemente agem no ímpeto, antes de pensar e colocam os fatos até mesmo de uma maneira agressiva, o que pode acabar minando e comprometendo a relação. O caso de Ricardo ilustra bem esse problema. Ele conta que por causa disso, muitas namoradas já o acusaram de ser “sincero demais”.

"Ele não me escuta!!!"

Mas a maior queixa dos maridos, esposas, namorados e de quem convive com portadores TDAH é e dificuldade de conseguir conversar com as pessoas sem que ela se distraia, pense em outras coisas e fuja para o mundo da lua no meio da conversa. Se em casamentos em que nenhum dos dois apresenta TDAH a dificuldade de comunicação é um problema constante, imagine então quando o marido ou a esposa simplesmente não consegue prestar atenção ao que o outro diz por muito tempo. A cena é clássica: um deles fala, fala... enquanto o outro parece escutar. Ele pode até ter se concentrado nos início, mas depois se distrai com o som da TV ou olhando o quadro que está na parede logo atrás do parceiro: “Amor, você está me ouvindo?”; “Ah, o que é? Desculpe estava distraído...”. E está o aí estopim para uma discussão das boas, que podem incluir acusações como “você nunca me escuta”, “nada do que eu falo é importante para você”, “você não se importa comigo. Eu te falo uma coisa e na semana seguinte você já não se lembra!”.

- No início, logo que eu conheci a Débora, eu achava um pouco grosseiro o fato de ela se desligar da conversa. Já estamos juntos há quase quatro anos e ainda hoje isso é o que mais me chama a atenção no nosso cotidiano. Muitas vezes eu falo com ela e tenho a sensação de que ela está fazendo uma viagem astral, que está num mundo à parte – brinca o economista carioca Henrique Bastos. Ele conta que já aprendeu a lidar com as “viagens” da esposa, mas que isso não o impede de se irritar em certas ocasiões - Quando estou falando sobre um assunto sério e ela se distrai, eu me irrito. Posso ser compreensivo mas não sou de ferro.

- Eu até tento me concentrar e prestar atenção ao que ele me diz. Mas eu me distraio sem querer. Quando vejo já estou pensando em outra coisa ou olhando para o lado. Depois que iniciei o tratamento médico o problema melhorou bastante. Me sinto mais paciente, consigo ouvi-lo melhor, não sou mais tão impulsiva – se defende a esposa. E como as maiores queixas eram do marido, ele se encarrega agora de fiscalizar os horários em que ela toma os remédios. Henrique diz que percebe pelo comportamento da esposa quando ela se esqueceu dos comprimidos e é o primeiro a cobrar.

Disfunções no funcionamento do cérebro

Mas problemas como esse não são comuns e afetam também pessoas tidas como normais? Os médicos dizem que sim, mas ressaltam que quando a pessoa tem TDAH, os problemas são mais freqüentes e acentuados, o que pode ser bastante desgastante para um relacionamento. Quem não ficaria chateado se o parceiro se esquecesse sempre dos compromissos, datas, aniversários e mesmo do seu prato preferido? Não se trata de falta de interesse ou descaso, mas sim de uma incapacidade com explicações biológicas. Inúmeros estudos científicos já demonstraram que o TDAH sofre forte influência genética e está relacionado a uma alteração de neurotransmissores em determinadas regiões cerebrais.

Se os parceiros reclamam, a situação também não é das mais simples para o portador. Eles tentam, fazem um esforço sobre-humano para vencer as limitações da doença e freqüentemente se sentem frustrados o por não conseguirem agradar ao cônjuge. Os médicos contam que muitos pacientes procuram tratamento médico inicialmente por causa das reclamações dos parceiros. O estímulo para continuar o tratamento e conseguir conviver com a doença também costuma vir deles. É consenso entre os médicos que sem a ajuda e compreensão daquele que está ao lado, convivendo com o portador, o trabalho fica muito mais difícil.

-Para que a vida do portador de TDAH e de seu parceiro seja melhor, os dois precisam estar atentos ao problema. Todas as recomendações valem para ambos. Na hora de uma conversa, é preciso se livrar de quaisquer outros estímulos que possam atrapalhar. Não adianta tentar conversar fazendo outras coisas, como ver TV, preparar um jantar etc. Um marido que tentar falar com a esposa enquanto ela procura um objeto dentro da bolsa está perdendo o seu tempo – explica Marcos Romano. Ele acrescenta que o contato visual é muito importante para facilitar a “ativação” da atenção.

- Na hora de conversar, olho no olho. Nada de tentar conversar a distância, gritando lá do outro cômodo da casa. Eu sei que pode ser chato, mas não adianta tentar falar enquanto vê assiste a um filme. Use sempre o contato visual.

Montanha-russa amorosa

É preciso ainda estar atento a um outro problema causado pelo TDAH. Muitos portadores reclamam que não conseguem estabelecer relações mais duradouras por que, depois de algum tempo, simplesmente se cansam das pessoas. Essa postura traz dificuldade em todas as relações, sejam amorosas, profissionais ou sociais. A doutora Vanessa Ayrão explica que quem tem TDAH tende a se cansar das situações e das pessoas com muita facilidade. Eles estão sempre buscando novidades e, dentro desta lógica, o relacionamento só é interessante enquanto é uma coisa nova.

- Um relacionamento que para uma pessoa comum é tranqüilo, pode ser extremamente entediante para quem tem TDAH. Ele precisa estar sempre criando estímulos para manter o interesse pela relação. Um dos recursos é até mesmo estimular conflitos, criar brigas. Se os dois não tiverem uma postura crítica e se o parceiro “entrar no jogo”, a relação pode se transformar em uma montanha-russa nada agradável – observa Vanessa.

Na tentativa de levar uma vida em um ritmo mais agradável e diminuir os problemas causados pelo transtorno - e evitar assim as broncas da namorada por ter chegado atrasado ou do marido por que você se esqueceu pela vigésima quinta vez de pagar a conta de telefone - os portadores podem criar estratégias que ajudam a vencer a falta de atenção e a memória fraca. O estudante Marcelo - o mesmo que no início da matéria confessou que, enquanto ouvia música, assistia tv ou ou lia revistas, se esquecia de buscar a pobre namorada que o estava esperando – dá algumas dicas que já testou na prática:

- Passei a anotar tudo e deixo escrito em um bloquinho que levo comigo na carteira. Escrevo inclusive um roteiro de coisas a fazer durante o dia. Pendurei também uma lousa no meu quarto, bem em frente a minha cama, e ali coloco com letras garrafais as coisas importantes.

Mas os compromissos sociais marcados com muita antecedência, no entanto, ele já desistiu de guardar.

- Quem geralmente me lembra do que a gente tem para fazer é a minha namorada. Nós confiamos mais na memória dela - brinca o rapaz.

* Rafael Alves Pereira é jornalista formado pela PUC-Rio e trabalha atualmente na Rádio CBN. Ele escreve para a ABDA reportagens quinzenais, que trazem depoimentos de médicos e pacientes e têm o objetivo de oferecer mais informações sobre o TDAH para quem convive com o problema e para o público em geral. São abordados assuntos como o cotidiano do portador de TDAH, avanços médicos na área e o tratamento dos pacientes.

rafa_alves@hotmail.com

Retirado do site ABDA

terça-feira, 24 de julho de 2012

Manifesto - EU APOIO ESSA CARTA!



Este é um manifesto que repudia a idéia de que o TDAH é uma doença inventada.

É necessário que todos aqueles que sofrem com filhos com TDAH assinem para que as pessoas reconheçam que precisamos de pessoas entendam e nos ajudem .

TDAH não é uma doença inventada.



sexta-feira, 6 de julho de 2012

Revista Super Interessante aborda o cérebro do TDAH


A revista Super Interessante traz 2 artigos sobre TDAH que vale a pena ler.
Um dos artigos vai trazer o dia a dia com déficit de atenção e mostra como o cérebro de um TDAH não consegue filtrar os estímulos e como recebe tudo ao mesmo tempo.

Vale a pena ler ....


sábado, 16 de junho de 2012

O "MITO" DO TDAH: COMO ENTENDER O QUE VOCÊ OUVE POR AÍ

Escrito por Paulo Mattos

Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro


Mestre e Doutor em Psiquiatria e Saúde Mental

Pós-doutor em Bioquímica

Presidente do Conselho Científico da ABDA


As dúvidas movem a ciência e permitem o progresso, porque impulsionam os cientistas a tentar esclarecê-las. Dúvidas, portanto, representam algo inestimável e imprescindível para todas as áreas da ciência; para a medicina não é diferente. Existe atualmente um grande número de questões não esclarecidas sobre diferentes aspectos de muitas doenças; são estas dúvidas que estão ocupando os cientistas do mundo inteiro neste exato momento e vão ocupa-los por toda sua vida profissional.

E o que fazem os cientistas? Eles fazem pesquisas com critérios rigorosos para testar suas hipóteses. Para isto, devem submeter seu projeto a um comitê de ética e ter cada etapa de seu trabalho avaliada e aprovada antes mesmo de começar. Quando a pesquisa termina, os cientistas publicam os resultados em revistas especializadas, para que os conhecimentos não apenas sejam conhecidos por todos os demais cientistas, como também para que outros possam verificar os resultados e tentar reproduzi-los para confirmá-los ou rejeitá-los. A isto chama-se de método científico e é a única maneira de se controlar os conhecimentos gerados por pesquisas.

Um cientista mal intencionado publicou resultados fraudulentos? A única forma será verificar os resultados de sua pesquisa (eles são obrigatoriamente armazenados durante muitos anos). Outro tirou conclusões erradas a partir dos resultados de sua pesquisa? Basta verificar a metodologia, conferir os resultados e ver se há outras conclusões possíveis. Alguém recebeu verba de um patrocinador que potencialmente influenciou a análise dos resultados? Informações sobre verbas são obrigatórias e caso haja uma infração, nenhuma revista científica publicará mais artigos deste pesquisador. Existiu alguma fraude com os dados? É possível saber verificando os materiais originais da pesquisa e os relatórios publicados; várias revistas publicam imediatamente editoriais quando descobrem algum tipo de erro ou fraude.

Portanto, somente o método científico nos dá a segurança de que uma determinada informação é segura, porque deste modo ela pode ser analisada, verificada, confirmada ou abandonada. Para isso existem as revistas científicas especializadas que só publicam pesquisas que respeitaram o método científico e que foram previamente avaliadas por um grupo de pesquisadores imparciais e com experiência. Quando ocorrem erros, de qualquer natureza, este é o único modo de eles serem descobertos e corrigidos: através de publicações científicas padronizadas.

Agora, imagine que alguém lhe diga que “determinada doença é causada por isto ou por aquilo” ou ainda que “determinado medicamento causa este ou aquele problema”. Você aceitaria, de bom grado? Sem pedir nenhuma comprovação científica? Sem pedir para ver os artigos científicos publicados em revistas especializadas?

Como você pode saber se algo que um profissional de saúde está dizendo é verdade? Qualquer ideia pode fazer algum sentido e mesmo assim ser falsa; nem toda lógica é verdadeira, obviamente. Muitas vezes, um discurso inflamado, aparentemente bem intencionado, é cheio de conclusões que não tem qualquer fundamento científico e não se baseia em nenhum achado de pesquisa. No Brasil, frequentemente pessoas fazem discursos e até mesmo iniciam campanhas sobre saúde baseadas em suas opiniões pessoais ou suas crenças políticas; ou seja, no que elas “acham”- é o famoso “achismo”.

E quanto ao TDAH? Existem dúvidas sobre inúmeros aspectos específicos do TDAH, assim como existem com relação ao câncer, ao diabetes, ao infarto do miocárdio, ao Parkinson, etc. Mas não existe nenhuma dúvida, no meio científico, quanto a sua existência: o TDAH é um dos transtornos mais bem estudados em toda a medicina e é descrito por médicos há mais de 2 séculos.

Mas por que algumas pessoas insistem em dizer que “TDAH não existe”?

Em primeiro lugar, vamos esclarecer quem reconhece o TDAH como uma doença: a Organização Mundial da Saúde. Além disso, no Brasil, temos a Associação Médica Brasileira, a Associação Brasileira de Psiquiatria, a Academia Brasileira de Neurologia e a Academia Brasileira de Pediatria. Você não acha estranho que alguém conheça “uma verdade” que é ignorada por todas as organizações médicas?

Bem, o modo mais simples e rápido de terminar uma discussão sobre “a existência do TDAH” seria pedir que os indivíduos que negam sua existência forneçam artigos científicos que sustentem sua opinião. Mas eles jamais o farão, porque tais artigos.... não existem! O seu discurso sempre será baseado no “achismo” e sempre dará a impressão de que estão lutando por uma causa justa, para “defender” a população de algum mal terrível. Por outro lado, artigos mostrando que existem bases neurobiológicas e genéticas no TDAH somam mais de 10.000 atualmente (isto mesmo, dez mil, você leu corretamente).

Algumas pessoas, talvez, fiquem na dúvida sobre a existência do TDAH porque “todo mundo tem um pouco”. O que ocorre é que todo mundo tem alguns sintomas de TDAH; este diagnóstico é feito pela quantidade de sintomas e não na base do “tudo ou nada”. Exatamente como no diabetes, na hipertensão arterial, no glaucoma, na osteoporose, etc.: o que dá o diagnóstico é a intensidade ou quantidade.

Existem também indivíduos que acreditam que todo e qualquer problema de comportamento (TDAH nem sempre causa problemas de comportamento, ressalte-se) é causado “pela sociedade”. Geralmente estas pessoas estão fortemente envolvidas com grupos políticos que pregam intervenções do governo na sociedade (também chamada de “engenharia social”, muito comum nos regimes ditatoriais comunistas). Tais movimentos remontam à ideia comprovadamente equivocada de que os homens nascem invariavelmente bons e puros e é a sociedade que os corrompe. Estas ideias, que datam do século XVIII, não sobreviveram aos achados da genética e das neurociências, que não existiam naquela época.

Outros, ainda acreditam que todo e qualquer problema psíquico é causado por fatores psicológicos, apesar da farta literatura científica sobre as bases neurobiológicas e genéticas do TDAH. Desnecessário dizer que geralmente tais indivíduos ganham a vida fazendo tratamento psicológico para as doenças; raramente, entretanto, falam sobre o seu próprio conflito de interesses.

Por fim, ainda há aqueles que tomam conhecimento de diagnósticos errados de TDAH, de prescrições equivocadas de medicamentos, de automedicação para fins recreativos ou para aumento do desempenho em provas e passam então a dizer que “o diagnóstico é falho” ou “o tratamento é similar ao uso de uma droga”. Não é difícil enxergar que a existência destes erros em nada comprometem nem o diagnóstico nem o tratamento do TDAH. Pense nos antibióticos: eles são muito prescritos de modo errado. Usam-se antibióticos, por exemplo, para infecções de garganta com muita frequência, um uso sabidamente equivocado (elas são causadas na maioria das vezes por vírus, que não são combatidos com antibióticos). Nem por isso deve-se abolir os antibióticos, que curam e salvam vidas quando usados corretamente. O mesmo exemplo ainda serve para aqueles indivíduos que dizem que “os medicamentos para TDAH são inespecíficos e agem em qualquer pessoa”: de fato, os antibióticos matam as bactérias em qualquer um, mas só curam aqueles que estão com pneumonia.

TDAH não é um mito. Muito daquilo que se fala contrariamente ao seu diagnóstico e tratamento são simplesmente “achismos”, crenças sem fundamento objetivo ou científico; ou seja, são mitos. E mitos, definitivamente, não são algo em que você deva confiar quando se trata de sua saúde ou da saúde de seus filhos.