segunda-feira, 22 de junho de 2009

Associação Brasileira do Déficit de Atenção - Carta Aberta ao Jornal Nacional do dia 18 de junho de 2009


A reportagem veiculada no Jornal Nacional, da TV Globo, representou mais uma dentre as várias matérias recentes cujo conteúdo apresenta uma percepção incorreta do Transtorno do Déficit de Atenção (TDAH)

1) A ausência de pesquisadores por si só é bastante sugestiva. São entrevistados profissionais que emitem opiniões próprias, como se elas fossem representativas de sua categoria. Ao contrário do que disse um dos entrevistados, existe consenso entre médicos neurologistas, neuropediatras, pediatras e psiquiatras que o TDAH frequentemente exige tratamento medicamentoso. A opinião pessoal de um profissional, quando oposta aos demais de sua categoria profissional, aos consensos publicados na literatura científica e aos achados de pesquisa não apenas é irrelevante como potencialmente danosa. Com o advento da moderna medicina, o que um profissional “acha” sobre determinada doença ou seu tratamento não é mais relevante: é necessário consultar os resultados de pesquisas científicas realizadas por diferentes estudiosos, em diversos países, inclusive por grupos que competem entre si. O nome disto é medicina baseada em evidência e é improvável que jornalistas não conheçam isto.

2) Só há uma forma de se “averiguar” se determinada concepção é correta ou não: através de pesquisa científica publicada em revistas especializadas. Os estudos são revisados por pareceristas anônimos, também pesquisadores. Mesmo após passar pelo seu crivo os resultados, por terem sido apresentados em detalhes, podem ser criticados, novamente analisados e mesmo reproduzidos (ou não) por outros. Por outro lado, como seria possível “averiguar” a “opinião pessoal” de alguém? Será que os jornalistas realmente crêem que “achismo” é relevante?

3) Seria oportuno que os jornalistas indicassem os critérios de seleção dos entrevistados. Mas como tais critérios são obscuros, só resta ao expectador consultar se algum dos entrevistados alguma vez na vida sequer pesquisou ou publicou um artigo cientifico sobre TDAH: basta consultar o site http://lattes.cnpq.br/.

4) Por que não entrevistam associação de portadores, como a ABDA? Não são justamente os portadores e seus familiares os maiores interessados neste assunto?

5) Entrevistar um único indivíduo que sofreu efeitos colaterais de qualquer medicamento que seja é, na melhor das hipóteses, sinal de ignorância. Na pior delas, sinal de má fé. Os brasileiros perderam um grande nome da música popular por conta de uma anestesia. Isto significa que devemos abolir as anestesias? Um dos medicamentos mais utilizados para dor e febre, vendido sem receita médica e de uso infantil, é o acetaminofen, que muito raramente pode levar a graves complicações hepáticas (no fígado), inclusive fatais. Isto não significa que o medicamento deva ser proibido. Será que ensinam matemática nos cursos de jornalismo? Mais ainda, não sabemos sequer se a criança da reportagem de fato tinha TDAH, se foi diagnosticada por especialista e recebeu prescrição de modo correto.

6) Por último, enfatizamos que existem inúmeros estudos científicos demonstrando que o TDAH, quando não tratado, se associa a várias complicações: uso de drogas, mais fracasso escolar e mais repetência, maiores índices de desemprego, maior freqüência de depressão e ansiedade, mais acidentes automobilísticos e maiores índices de divórcio.

Matérias jornalísticas têm elevado impacto na população, de modo geral. Quando seu conteúdo apresenta inverdades ou promove o medo injustificado ao tratamento de uma doença séria, faz grave desserviço ao país. Mais ainda, quando sob uma falsa maquiagem de imparcialidade apresenta visões opostas providenciando, entretanto que uma delas tenha destaque ou enorme apelo, mesmo se sabendo infundada, infringe o mais básico dos preceitos do jornalismo.

Fonte: http://www.tdah.org.br/cartaaojn.php

3 comentários:

VictormS disse...

Olá! Bom, queria dizer que o portal AD/HD FREEWARE (prog.naotemnome.com/free) distribui internacionalmente programas gratuitos para pessoas adultas com DDA (distúrbio de déficit de atenção).

Anônimo disse...

SOU MÃE DE UMA CRIANÇA COM TDAH E TIVE MUITA DIFICULDADE ATÉ FECHAR O DIAGNÓSTICO, OS PROFESSORES SÃO MUITO DESPREPARADOS PARA ATENDER AS DIFICULDADES DE UM TDAH, PRECISA OCORRER UMA MUDANÇA NO SISTEMA EDUCACIONAL, ONDE SE TRATE CADA INDIVIDUO SEPARADAMENTE, NÃO COMO UMA CLASSE PADRÃO, UM MONTE DE IGUAIS, SEM PERSONALIDADE

Anônimo disse...

estou desesperada vivo em Portugal e nao consigo ajuda de nenhuma entidade para esclarecimentos sobre transtorno de atenção ja nao sei a quem recorer