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quinta-feira, 17 de março de 2011

Mais um bilhete... ”Ele apenas conversa...sai do lugar...”

Mais um bilhete... ”Ele apenas conversa...sai do lugar...”

Você já explicou milhões de vezes como o seu filho se comporta, já explicou a mesma coisa e o pessoal da escola ainda envia bilhetinhos no caderno escrito: “ Ele conversa muito...ele sai constantemente do lugar...ele não fez a lição....ele tem dificuldades de aprendizado...o seu comportamento prejudica o seu rendimento....” ?

Eu não consigo entender... Ou melhor, eu entendo: O meu filho age da mesma forma... Eu explico uma coisa e depois de algumas horas preciso explicar de novo...depois de alguns dias também....no outro ano ...de novo.....

E assim continua a saga – “Ele conversa muito durante as aulas”...

Será que a ritalina resolve o problema?

As vezes não é repassado informações necessárias a eles, mas eu não consigo entender....

Desabafo de um pai com filho com TDAH.

E a vida continua...

quarta-feira, 16 de março de 2011

Depoimento - Minha Vida...""Mal educado!!!!" " Sem limites!!!!" "Capeta!!!!" "Disperso!!!!" "Louco!!!"

No último Congresso Internacional da ABDA, apresentei durante uma palestra um texto escrito por meu filho para a cadeira de filosofia do curso de economia da PUC-RJ.

O texto, cuja avaliação implicava em nota, foi solicitado a cada aluno pelo professor da cadeira, com o objetivo de conhecer um pouco da trajetória pessoal da turma. Ele, meu filho, recebeu grau dez, fazendo com que todos nós chegássemos às lágrimas, inclusive o próprio professor que acabara de conhecê-lo.


A partir das inúmeras solicitações de cópias que tenho recebido do Brasil inteiro, decidi postar o texto aqui no site. No entanto, na condição de mãe, preciso fazer alguns comentários ligados ao texto que vocês lerão em seguida.

Em primeiro lugar, quero enfatizar que apesar de todas as dificuldades que enfrentamos naquela época, em função da falta de informação sobre TDAH por parte de algumas escolas, médicos, profissionais... talvez o pior obstáculo com o qual nos deparamos tenha sido a arrogância, a prepotência e a insensibilidade daqueles que se diziam educadores, mas que optaram por EXCLUIR covardemente o que desconheciam, O TDAH representado naquele momento pelo meu filho, para não terem que experimentar o desafio e a impotência de encarar as suas próprias limitações ou a ignorância que não ousa se superar pela busca do conhecimento.

Aos “terapeutas” que tanto insistiram na tese de que TDAH não existe, que era uma doença inventada pela Indústria Farmacêutica, que a medicação era absolutamente perigosa e desnecessária, que se tratava de “falta de limites”, culpa minha, complexo de Édipo, blá, blá, blá.... Se por um lado lamento o tempo perdido, por outro, agradeço-os por terem me dado à oportunidade de olhar nos seus olhos e perceber o quanto estavam equivocados, aprisionados no estreito universo daqueles que só admitem uma corrente de saber - a própria.

A escola, em especial aquela que sumariamente reprovou o meu filho por não conseguir “ficar atento e ser muito agitado”, ao coordenador que disse que “o conselho de classe era soberano para punir alunos que não se esforçam”... a todos que um dia tentaram atrapalhar o seu caminho, plagiando o poeta Mario Quintana, digo:

Eles passaram, ficaram no passado.

Meu filho é que era passarinho, voa com sucesso rumo ao futuro.

Finalmente, meu afeto e eterna gratidão ao Prof. Paulo Mattos, grande amigo, por ter mostrado ao meu filho um caminho que ele já acreditava não existir e, ao Colégio A. Liessin pela forma acolhedora com que o recebeu, o que fez toda diferença para que ele pudesse provar que o sucesso era possível.

Iane Kestelman Presidente da ABDA


LEIA O TEXTO ABAIXO -  Como um TDAH sofre com a falta de conhecimento de educadores e coordenadores
Minha Vida

Ele era uma criança levada, que não parava no lugar e não se concentrava em nada. Diziam que ele era hiperativo, mas pera aí? Como podia ser hiperativo uma criança que ao jogar videogame ou assistir um jogo do Flamengo na televisão ficava horas e horas parada sem ao menos piscar os olhos?

"Mal educado!!!!" " Sem limites!!!!" "Capeta!!!!" "Disperso!!!!" "Louco!!!" eram frases que ele comumente ouvia.

Ele sofria com isso, porém, sempre se considerou como os outros, pois tinha uma vida parecida com a dos seus amigos, mesmos hábitos, costumes, cultura, mas sempre fazendo as coisas muitas vezes sem pensar. Mesmo assim, ele não era somente defeitos, assim como perdia amigos facilmente, os recuperava com seu carisma e sua inteligência.

Inteligência que incomodava a muitos, pois não o viam estudar muito, se empenhar e mesmo assim colher como frutos, bons resultados... "Mas pera aí, ele nunca pode ser um bom aluno!" "Ele só pode estar colando".

Eis então que ele cresceu, a criança hiperativa mal educada virou um jovem. Ele, agora mais velho, continuava tendo muitos amigos, saía, se divertia e jogava muito bem futebol, algo em que definitivamente se concentrava e parecia até uma pessoa "normal"; ele era o capitão de seu time da escola, exercia toda sua liderança em quadra e se orgulhava muito disso.

Na sala de aula, parecia que sua liderança se tornava algo negativo, o fazia não ter forças para estudar, para prestar atenção, atrapalhava a turma, desconcentrava os professores e criava muitas inimizades. Inimizades essas que não acreditavam como ele podia obter bons resultados. E as vitimas de sua tenebrosa atitude sem limites? Ele não pode corresponder às expectativas.

Ele era o capitão do time, ele era querido.....

Ele era um menino problema; em sala de aula, ele era odiado.

Como sua vida não era feita só de futebol, ele foi campeão no campo, e foi derrotado fora dele; foi perseguido como um bandido sem direito a legítima defesa, afinal foi pego várias vezes em flagrante, com sua maligna hiperatividade e sua temível impulsividade.

Orgulhosamente, foi lhe dado o veredicto final, como um juiz que dá uma sentença a um réu, sua reprovação em matemática foi ovacionada pelos guardiões da boa conduta e da paz escolar, e sua conseqüente saída da escola como um início de um novo ciclo de alegria, sem ele, aquele menino, que jogava bem futebol, mas somente isso.

Ele chorou, perdeu seus amigos, sua escola, mas mais do que tudo isso, perdeu sua auto-confiança.

Ele já estava se tornando um adulto, e por meios do destino sua mãe conheceu um médico que tratava de um tal “déficit de atenção”. Seria tão somente o 445º tipo de tratamento para curar aquele garoto-problema, algo que até o mesmo já estava praticamente convencido que era.

Mandaram-lhe tomar Ritalina, um remédio ruim, que tira fome, e que lhe daria mais atenção e blá blá blá !!! Algo que ele já estava cansado de ouvir. Ele tomou a medicação sem crença nenhuma naquilo.

E o tempo foi passando, ele vivendo sua vida, em uma nova escola, procurando seu lugar no time de futebol do colégio...

Em 4 anos ele se tornou capitão do time. E mais, foi campeão vencendo a sua ex-escola; se formou como um dos melhores alunos da turma, passou para a faculdade que queria, tirando nota 10 na prova de matemática, a matéria que o fez passar um dos seus piores momentos ao ser reprovado.

Hoje ele está na faculdade. Ele ainda tem muito o que viver, com seu jeito hiperativo, desatento, mas agora controlado, sem deixar de ser ele mesmo. Ele vai vivendo, com o intuito de um dia poder mostrar que não era um bandido, um mal educado, nem um “sem limites”; era apenas uma pessoa diferente e, como todas outras pessoas diferentes, pode e deu certo na vida.

Hoje ele é feliz, tem uma namorada, estuda o que gosta, tem muitos amigos, sua família se orgulha dele e, acima de tudo, ele próprio sabe o que tem e vive feliz com a sua realidade.

Ele deseja que o que ele sofreu, outras pessoas não sofram um dia.

Ele?

Sou eu...

Beto

Obs: Solicitamos em caso de reprodução do texto, citar o nome do autor e a fonte (copyright).

(Grifo Meu)

segunda-feira, 22 de março de 2010

Você já foi cobrado por algo que você não consegue fazer?

Eu não consigo ficar parado por muito tempo, parece que é a aula nunca acaba!

Eu não consigo prestar atenção na aula, às vezes eu apronto, mas os meus professores querem que eu fique quieto todo tempo. mas não dá!

Eu tento às vezes eu faço as coisas e depois que eu fiz, eu me arrependo, mas parece que eu faço sem pensar no que vai dar errado.

AI, na minha agenda vem um papelzinho verde que alguns professores mandam para o meu pai dizendo que eu não presto atenção, que eu não consigo parar no lugar, que eu me distraio facilmente... depois o médico diz que sou eu que tenho TDAH!

Será que os meus professores não me entendeis? Será que eles sabem o que é querer prestar atenção e não conseguir? Será que eles sabem que eu quero obedecer, mas às vezes eu não consigo!

Agora eu comecei tomar o remédio, mas eu não gosto porque parece que eu estou amarrado, parece que alguma coisa me segura. Não é fácil, mas eu vou conseguir.

Ainda bem que no futebol eu consigo fazer muitos gols, também, eu não preciso ficar sentado por horas e horas...

Tchau pessoal.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Pela primeira vez – Passei de ano direto!

O pessoal pediu a minha foto. Olha eu aqui.....o que acharam?
Pela primeira vez conquisto um grande troféu do mundo.

Passei de ano direto. Eu quero que isto aconteça de novo no ano que vem.

Este ano eu mudei de escola no meio do ano, fiquei meio com medo, mas essa escola que eu fui - a El-Shaday é manera.

O lugar é pequeno, mas pra mim a escola é mais fácil.


Gostei muito de mudar pra lá.

Mais no ábaco, na outra escola que eu estava tinha uma coordenadora, a Adriana, que me acompanhou o tempo todo. Sinto saudades dela, ela me chamava de filho e eu a a chamava de mãe. Ela foi importante para a minha vida escolar.

Minha coordenadora do coração, eu nunca vou esquecer ela pra sempre.

Obrigado Adriana
Lucas G. Torres

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Não é fácil estudar e querer brincar.....

E ai pessoal, como é que vocês estão?

To em prova, não é fácil estudar. É chato demais.



As vezes fico irritado porque eu preciso estudar, mas não consigo ficar concentrado estudando por muito tempo. Caramba, os meus amigos brincando lá fora e eu aqui dentro de casa tendo que estudar. E ainda se fosse algo legal, mas decímetro, centímetro, milímetro...onde é que eu vou usar isso na vida?

Imagina você – Eu chego no posto com o meu carro e digo – Coloca ai 20 mil centrimetros cúbicos de gasosa.... é difícil.... E quando eu preciso decorar o uso das colunas dos templos gregos – jônico, dórico e Corintias...pra que isso, meu Deus!

Será que o pessoal que manda a gente estudar isso não poderia fazer umas matérias do dia a dia da gente?

O problema é que eu fico escutando o barulho da bola, quando não é a campainha que toca e um amigo me chama para jogar bola na quadra. Pronto, lá se foi a minha concentração nos estudos, a minha cabeça fica lá fora.... a cabeça da minha mãe fica doendo de tanto eu pedir para brincar.

As vezes eu durmo até tarde só para não estudar. Eu acordo, mas fico quietinho na cama para o meu pai que estuda comigo não me fazer estudar muito. Mas quando chega uma tal hora, ele me chama e não tem como fugir dele.

Mas não é só de momentos difíceis que a gente vive. Eu quero falar de algo muito legal que a minha professora de geografia fez.

Você acredita que eu consegui decorar todos os estudos e capitais brasileiras!

Que é? Ta duvidando?

É verdade, mas não foi estudando como a gente sempre estuda. A minha professora fez uma musica com todos os estados e capitais. Pronto...decorei rapidinho...

Os professores poderiam ensinar assim, pelo menos a gente consegue aprender com criatividade.
Você imaginou aprender matemática com musica!

Seria uma musica para a tabuada do 8, outra para a do 7 – Só falta o Silvio Santos para dizer – Qual é a musica?

Valeu pessoal....

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Pela primeira vez não fiquei de recuperação!


Pessoal, vocês não acreditam...pela primeira vez eu não fiquei de recuperação.
Eu pulei de alegria, olha que é a primeira vez que eu também não fiz provas na sala da cordenadora. Eu fiz a prova com a classe, junto com todo mundo.
Vocês sabem, quem tem TDAH - caiu uma caneta no chão, lá vai a atenção.... caramba, até combinou..rsrsr
Bom, mas a minha alegria e ter feito as provas sozinho e conseguir nota - e olha que as notas estão ótimas.
Se você também tem TDAH ou tem outro problema - não desista...tenta que vai dar certo.
Valeu pessoal .
O pessoal está perguntando o meu nome, meu nome é Lucas.
Na próxima vez, eu acho que vou colocar a minha foto.
Valeu - agora eu fuiiiiiiiiiii.....................

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Caramba, eu não consigo acompanhar a classe!

E ai. Tudo bem?



Comigo não. Eu vou escrever para vocês de vez em quando, mas desculpe os erros. Mas este é o meu diário. Eu queria falar com vocês que eu não consigo acompanhar a minha classe.


Eu não consigo


É difícil, mas eu bem que tento... o pessoal acha que eu não presto atenção na explicação do professor, mas é só um lápis cair no chão que eu me distraio. Pronto, a explicação foi pro brejo. Ainda mais se for de matemática!

Outro problema é pedir para o professor explicar de novo, o pessoal da classe quer me matar e ai começa a me chamar de burro, Zé orelha, o cara que fica sempre de recuperação.

Eles já entenderam, mas eu não! Então fico quieto e faço de conta que entendi. Eu não faço o exercício porque não consigo, eu enrolo até o professor passar a correção na lousa. Pelo menos eu não pago mico.

O mais difícil é na hora da prova – Eu recebo aquela prova de 3 páginas, mas só tenho 1 hora para fazer!

E os enunciados! Loucura, loucura, loucura.

Eles têm 4 linhas, quando eu estou quase no final, eu já esqueci o que eu li no inicio... E ai, eu escolho o que vou fazer sem ao menos saber o que fazer. Alguns eu consigo fazer com muito custo, mas não é suficiente para tirar uma nota boa.

Depois, quando o professor corrigiu as provas e entrega as notas e ele fala que alguns foram mal na prova; eu já abaixo a cabeça porque eu já sei que entre estes “alguns”, eu estou no meio.
E lá em casa!

A minha mãe pensa que eu é que sou vagabundo e não estudo.... da para alguém contar para ela que eu não consigo aprender como os outros !
Ela não quer entender que eu não consigo acompanhar a classe!